segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O FIM AMARGO DE UMA NOITE DOCE

Título Original: Amai Yoru No Hate
Diretor: Yoshishige Yoshida
Ano: 1961
País de Origem: Japão
Duração: 89min

Sinopse: Tezuka é um jovem ambicioso que quer ficar rico a qualquer custo, se envolvendo ao mesmo tempo com duas mulheres por interesse. Como se não bastasse, tenta convencer uma garota, Harumi, a fazer o mesmo que ele.

Comentário: Ainda prefiro o filme anterior de Yoshishige Yoshida (O Imprestável), mas este é muito bom a mantém o mesmo ritmo na carreira do diretor. Tezuka é um ser deplorável, em certa altura do film eu pensei "Mas porque diabos eu estou me afeiçoando a ele?" e este sentimento me incomodou, porque eu estava torcendo pra ele se foder mesmo achando que estava me afeiçoando ao personagem. Foi só então que percebi que o sentimento que eu estava sentindo não era afeição, mas sim pena, dó e vergonha alheia. É triste ver o quão pequeno é Tezuka, e o tanto de pessoas iguais a ele existem no mundo, que só dão valor a dinheiro e a coisas materiais. É o triste reflexo da sociedade contemporânea. Um belo filme, com uma bela mensagem. Encerrando minha maratona do ano de 1961 com chave de ouro.


OS DOIS MARECHAIS

Título Original: I Due Marescialli
Diretor: Sergio Corbucci
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 98min

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, dois anos antes do seu término, muitos italianos não sabiam quem eram os chamados aliados. A Alemanha, antes aliada da Itália passou a ser inimiga. Os Estados Unidos não são mais adversários e se transformam em libertadores. Perseguição a judeus, deserção de militares, sabotagens, ocultação de perseguidos nas igrejas e nas casas paroquiais, os fascistas ainda tinham algum prestígio. É nesse ambiente que se conta a história de um ladrão e de um comandante da polícia italiana. Totó e Vittorio De Sica protagonizam esse drama disfarçado de comédia.

Comentário: O filme pode parecer bobo, estar recheado de clichês, mas conforme vai se desenvolvendo nos mostra o quanto estamos enganados em subestimar a película, um ótimo filme. O melhor papel já interpretado por Totò e um dos melhores filmes dele que já assisti. Vittorio De Sica mostra aqui que além de excelente diretor também sabia atuar. Como a sinopse mesmo diz, é um drama disfarçado de comédia, há vários momentos em que o filme consegue fazer rir, mas também faz a gente refletir e ficar tenso com algumas situações. Recomendo pra todos, pois é um filme que acredito que vá agradar a maioria das pessoas. O final é ótimo, trazendo riso e reflexão ao mesmo tempo, assim como o filme inteiro.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM CANDANGO NA BELACAP

Título Original: Um Candango na Belacap
Diretor: Roberto Farias
Ano: 1961
País de Origem: Brasil
Duração: 99min

Sinopse: Um casal do show business de Brasília se une, por amor e arte, a uma dupla carioca, abre uma boate no Rio de Janeiro e enfrenta os golpes baixos de um competidor desonesto.

Comentário: Não é o melhor filme da supla Grande Otelo e Ankito, ainda prefiro o Pistoleiro Bossa Nova, mas é um filme bem legal. Foge um pouco do estilo dos filmes do Roberto Farias (o irmão do ator Reginaldo Faria que dirigiu Cidade Ameaçada e O Assalto ao Trem Pagador), mas ele consegue segurar muito bem o filme e fazer um ótimo trabalho. Grande Otelo foi um grande ator e merece todo o prestígio que teve, mas em compensação eu prefiro o Ankito, que tem talento pra dar e vender e foi bem esquecido merecia mais reconhecimento, pois é um dos melhores atores do gênero pelo final dos anos 50 e início dos 60. Infelizmente, durante as filmagens deste filme Ankito sofreu um acidente grave caindo de um prédio em construção, isso acarretou na perda de algumas habilidades acrobatas que praticamente encerrou sua carreira no cinema. Marina Marcel está linda, não consegui informações do porque este é o último filme dela. Boa diversão, recomendo.


YANCO

Título Original: Yanco
Diretor: Servando González
Ano: 1961
País de Origem: México
Duração: 90min

Sinopse: Um garoto começa a manifestar um talento cada vez maior para a música e, ao mesmo tempo, uma supersensibilidade aos sons. Sua apurada audição o leva para a floresta, longe da cacofonia da agitação da cidade. Sua vida é transformada após conhecer um velho violinista que começa a lhe ensinar tudo o que sabe sobre a música.

Comentário: Um belo filme, muito bem dirigido e conduzido, a edição consegue te prender durante boa parte da história. Achei um pouco longo, poderia ser um média metragem com uns 60 minutos. Me lembrou bastante ao primeiro filme do Tarkovski (O Rolo Compressor e o Violinista), não por causa do violino, no filme russo podemos ver um garoto refinado se aproximando de um trabalhador rústico e formando uma amizade a partir daí, aqui vemos um garoto rústico formando uma amizade com um senhor refinado tendo a música como conduíte desta relação. O filme emociona, toca em vários pontos que não estamos preparados, fazendo cinema de uma forma nova, bem original. O final me surpreendeu e coloca o filme em um ponto estratégico da época para a discussão sobre religiosidade e crendices, onde podemos questionar o quanto a humanidade é evoluída e o quanto o primitivo seja a essência de quem deveríamos realmente ser.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A TORTURA DA SUSPEITA

Título Original: The Naked Edge
Diretor: Michael Anderson
Ano: 1961
País de Origem: Inglaterra
Duração: 97min

Sinopse: Durante um julgamento em Londres o depoimento de George Radcliffe (Gary Cooper), a principal testemunha da acusação, condena Donald Heath (Ray McAnally) à prisão perpétua por assassinato e roubo de 60 mil libras. Após um ano, George investe um grande soma em um lucrativo negócio e gradativamente Martha (Deborah Kerr), sua mulher, começa a suspeitar que talvez ele seja o assassino.

Comentário: Último filme de Gary Cooper, o ritmo é muito bom, vai crescendo conforme o filme vai se desenvolvendo, digno de Hitchcok. As atuações de Coope e Kerr estão ótimas, o casal consegue passar uma boa química para a tela. O suspense crescente culmina em um péssimo final, onde tudo se resolve como em um desenho do Scooby Doo, de uma maneira bem comum de filmes comerciais, uma pena, pois podia ser um filme nota 10 se terminasse como eu havia imaginado. Valeu a assistida, mas realmente o final não me desceu bem e tive que abaixar a nota dele pra 6.


SUA EXCELÊNCIA FICOU PARA O JANTAR

Título Original: Sua Eccellenza si Fermò a Mangiare
Diretor: Mario Mattoli
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 96min

Sinopse: Estamos em 1923, um ano depois que Benito Mussolini assumiu o cargo de primeiro-ministro da Itália. É nesse ambiente que se desenrola um plano para chantagear uma pessoa ligada à nobreza italiana. O que começou por acaso se transforma em uma divertida comédia protagonizada pelo personagem Biagio Tanzarella, um falso médico com verdadeira sabedoria.

Comentário: Já assisti vários filmes com o Totò até o momento, alguns me agradaram e outros nem tanto, um dos melhores na minha opinião era exatamente um dirigido pelo Mario Mattoli (Totò, Peppino e as Fanáticas), mas este superou todos de longe. A dupla Ugo Tognazzi e Totò está perfeita, só faltou o Peppino pra ser a cereja no bolo. A direção é competente, mas é o roteiro que ganha destaque neste filme, tudo muito bem amarrado, as tiradas e as situações são ótimas e engraçadas em um tom correto. Consegui rir e me divertir muito neste filme. Virna Lisi está belíssima no começo da carreira. Ótima pedida pra uma comédia italiana, recomendo.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

YOJIMBO, O GUARDA-COSTAS

Título Original: Yojimbo
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1961
País de Origem: Japão
Duração: 111min

Sinopse: História de uma cidade dividida por duas gangues rivais no Japão do século 19. Com a chegada de um samurai, que toma posição entre as gangues, os conflitos culminam com o aparecimento de um dos oponentes portando uma arma de fogo.

Comentário: Um dos melhores filmes que assisti de Kurosawa, Mifune está ótimo no papel do samurai sem nome, a trilha sonora é um deleite para os ouvidos. Tudo no filme está perfeito, a direção, atuações, roteiro, figurino e tudo mais que o filme tem a oferecer. Eu não sabia que o "Um Punhado de Dólares" de Sérgio Leone era um remake deste filme, já gostava muito do clássico com o Clint Eastwood, mas devo dizer que preferi ainda mais este. Pra mim, que já tinha assisti ao faroeste do Leone, teve várias sequências que eu já sabia o que ia acontecer, mas recomendo assistir este antes, pois pode ser muito mais bem aproveitado por quem não viu o remake. Tanto diretor como ator deveriam ser premiados por esta pérola do cinema japonês. O título nacional ficou confuso, já que parece que Yojimbo é o nome do guarda-costas, mas ao que me parece, Yojimbo deve ser guarda-costas em japonês, pois o personagem principal não tem nome.


VIAGEM AO FUNDO DO MAR

Título Original: Voyage To The Bottom Of The Sea
Diretor: Irwin Allen
Ano: 1961
País de Origem: Eua
Duração: 100min

Sinopse: Uma expedição científica de rotina ao Pólo Norte transforma-se em uma corrida para salvar a vida sobre a Terra, quando um cinturão de radiação no espaço incendia-se e começa a aquecer o planeta de maneira incontrolável. O Almirante Nelson (Walter Pidgeon) e a tripulação do submarino atômico Seaview enfrentam sabotadores, criaturas marinhas gigantescas e ataques de submarinos durante sua corrida para evitar a catástrofe global.

Comentário: Irwin Allen é conhecido por ser o criador de séries de sucesso como Perdidos no Espaço, Terra de Gigantes e a que leva o mesmo nome deste filme... Viagem ao Fundo do Mar. Ao contrário do que muitos pensam, este filme não foi um piloto para a série que veio a surgir três anos depois, mesmo porque não se produzia pilotos para o cinema. O filme é bastante divertido para a garotada da época, mas não passa muito disso, tem pessoas que criticam bastante o filme por ele não ter muito embasamento científico, o que é verdade, mas a verdade é que a maioria dos filmes do gênero não tem este embasamento todo e serve apenas como diversão e não para agradar físicos e teóricos. O mais legal do filme é o comportamento dos personagens, como a tripulação age e isto se desenvolve. Não é um baita filme que te prenda na tela, mas tem seus momentos.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CAMA PARA TRÊS

Título Original: Letto a Tre Piazze
Diretor: Steno
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 96min

Sinopse: Exatamente no dia do décimo aniversário de casamento do Prof. Peppino Castagnano com a senhora Amália, viúva de Antonio Di Cosimo - morto na frente russa da Segunda Guerra Mundial - aconteceu o pior: a volta de quem não tinha morrido. O primeiro marido volta para casa vinte anos depois meio desorientado, mas muito astuto, desejoso de encontrar sua mulher e seu lar.

Comentário: A história é batida, mas com a dupla Totò e Peppino eu tinha esperanças de ficar muito bom, mas não achei tão bom assim. As situações fogem demais da realidade, deixando o filme forçado em várias partes. A própria posição de Amália frente aos fatos não dão nenhuma veracidade para a história: o marido que nem sequer consumou o casamento, desaparecido há vinte anos, volta no décimo aniversário de casamento (que aparentemente é perfeito) dela com o segundo marido e ela fica na dúvida de com quem quer ficar? Acho que o filme ficaria muito mais hilário se o Totò fosse uma espécie de chato que ficasse atrapalhando os dois ou algo do tipo. O que vale mesmo é a atuação da dupla Totò e Peppino, que possui uma ótima química.


MEU PASSADO ME CONDENA

Título Original: Victim
Diretor: Basil Dearden
Ano: 1961
País de Origem: Inglaterra
Duração: 100min

Sinopse: O jovem Jack Barrett (Peter McEnery) é preso pela polícia sob a acusação de ter furtado uma quantia em dinheiro da firma para a qual trabalhava. Com ele, as autoridades encontram um álbum de recortes de jornal sobre o advogado Melville Farr (Dirk Bogarde), profissional respeitado no meio jurídico e que está prestes a obter uma indicação para integrar o Conselho da Rainha. A investigação fará que com que Farr se envolva numa rede de chantagistas contra homossexuais, prática considera criminosa pela lei inglesa.

Comentário: O filme retrata de maneira muito digna os homossexuais, seus medos, humilhações e incertezas, vivendo em uma sociedade que os odeia com leis que os diminuem como indivíduos. A história dá algumas travadas ao longo do filme, alguns personagens coadjuvantes poderiam ter sido melhor aproveitados, mas no geral é um filme bem acima da média. O desfecho é excelente, ficamos com aquela vontade de que o filme dure mais um pouco. No mesmo ano tivemos outro filme muito importante para a causa homossexual (Infâmia), mostrando que o cinema estava disposto a discutir corretamente esta questão que ainda era um tabu até então. Achei as atuações aqui meio apáticas, mas conseguiram passar muito bem a pressão e a tensão dos personagens. É muito triste constatar que a sociedade evoluiu muito pouco quando o assusto é o respeito às diferenças.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O ÚLTIMO PÔR-DO-SOL

Título Original: The Last Sunset
Diretor: Robert Aldrich
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 112min

Sinopse: O pistoleiro "Bren" O'Malley, com roupas negras e uma pequena pistola Derringer sempre junto à cintura, tem alma de poeta, mas se transforma em um assassino descontrolado com frequência, principalmente quando há alguma mulher na história. Ele chega a um rancho no México em busca de um antigo amor, a bonita Belle. Mas ela está casada e com uma filha de 15 anos. O marido é um rancheiro bêbado e desertor da Guerra Civil, que está com dificuldades para juntar vaqueiros que levem seu rebanho ao Texas. Ele contrata O'Malley como pistoleiro da comitiva, e este lhe indica um cowboy que pode aceitar ser o chefe. Ele se refere ao xerife texano Dana Stribling. O'Malley não o conhece pessoalmente, mas sabe que Stribling o persegue desde o Texas, para levá-lo de volta a julgamento por homicídio.

Comentário: Um faroeste bem acima da média, Kirk Douglas está ótimo no papel e consegue prender o espectador. O personagem do Rock Hudson é um chato, tem horas que eu queria dar um cascudo nele, mas também é muito bem interpretado. Os personagens são coerentes, muito bem construídos, fato que se deve parabenizar tanto a Howard Rigsby que escreveu o livro, quanto ao lendário Dalton Trumbo, amigo de Douglas que escreveu o roteiro. O filme se estende um pouco, mas consegue retomar muito bem as rédeas da história em seus momentos finais, onde os conflitos internos de um dos personagens entra em cena. A cena do pôr-do-sol à que o título se refere foi bem mal dirigida, já que a iluminação não faz parecer que os personagens estão em um pôr-do-sol. Vale a pena a conferida. Menção honrosa pra beleza da atriz Carol Lynley, que interpreta Missy, uma pena que não despontou como uma atriz de grande sucesso.




VIVA A ITÁLIA

Título Original: Viva L'Italia
Diretor: Roberto Rossellini
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 128min

Sinopse: Épico de Roberto Rossellini sobre a unificação italiana, contada a partir da trajetória do revolucionário Giuseppe Garibaldi (1807-1882).

Comentário: O filme é feito pra italiano ver, quem não está familiarizado com a história de Garibaldi e a unificação italiana pode ficar completamente perdido sem entender muita coisa do que está acontecendo. Como cidadão italiano posso dizer que mesmo assim o filme é fraquíssimo, uma decepção já que o filme anterior de Rossellini me impressionou bastante (Era Noite em Roma). Renzo Ricci, que interpreta Garibaldi, até tenta, mas está longe de conseguir passar tanto a empatia que tinha pelo povo italiano quanto o carisma que devia fluir dele de maneira bastante involuntária. Há fatos bastante importantes que são ignorados que ocorrem antes do filme ter início e há outros fatos ainda mais importantes que ocorrem depois do filme, então o telespectador fica com apenas uma fração da história, quase como se o filme fosse algo incompleto. Não recomendo, nem pra quem está familiarizado com a história de Garibaldi e a história italiana.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TRÊS COLEGAS DE BATINA


Título Original: Três Colegas de Batina
Diretora: Darcy Evangelista
Ano: 1961
País de Origem: Brasil
Duração: 108min

Sinopse: Frei Martinho, decano de um convento de frades no Rio de Janeiro, luta pela urbanização de uma favela. O bondoso homem quer transformar os morros em locais decentes e luta com grandes dificuldades para que construam sólidas casas de tijolos. Três padres resolvem ajudar a arrecadar dinheiro para as obras cantando em casas noturnas escondidos de seus companheiros de convento.


Comentário: Segundo filme que assisto do Trio Irakitan, conjunto musical fundado na década de 50 e que ficaram muito famosos e chegaram a participar de 18 filmes até 1965 até o infeliz suicídio de Edson Reis de França (que interpreta neste filme o Padre Jeremias). O grupo canta bem, interpreta bem e tem carisma, foi realmente uma pena a fatalidade que ocorreu. O filme anterior, Virou Bagunça, é melhor, mas este não fica muito atrás não. A história é bem amarrada, a discussão social onde os ricos só pensam em dinheiro enquanto o povo do morro morre de fome não deixa de ser bastante atual (Não que se passe fome como naquela época, mas o fechar os olhos da alta sociedade para os problemas sociais dos pobres é algo que infelizmente sempre vai existir). Um bom filme nacional, que proporciona boas risadas e modestamente bem feito, até o som, que era um grande problema técnico dos filmes nacionais da época, não está tão ruim.


O SOL TORNARÁ A BRILHAR

Título Original: A Raisin in the Sun
Diretor: Daniel Petrie
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 128min

Sinopse: A família Younger, frustada com a vida em seu espremido apartamento em Chicago, vê a chegada de um cheque de dez mil dólares de um seguro como a resposta para suas preces. A matriarca Lena Younger imediatamente usa-o como parte do pagamento de uma casa num subúrbio cujos vizinhos são, em sua maioria, brancos. Mas a família se divide quando Lena confia a aplicação do dinheiro ao irrequieto filho Walter Lee, contra os desejos de sua filha e da nora.

Comentário: Um filme forte, com um excelente roteiro e reflexões que são atuais demais para os dias de hoje. Não sou um grande conhecedor dos trabalhos de Sidney Poitier, quando assisti Paris Vive à Noite confesso que não entendi o porque deste alvoroço sobre o Poitier, me pareceu um ator mediano, estava errado. Aqui temos uma das maiores interpretações que já tive o prazer de assistir em um filme, merecia uma indicação ao Oscar (recebeu apenas uma indicação ao Globo de Ouro). Daniel Petrie não é um diretor tão talentoso se compararmos com a grandeza do roteiro, mas leva o filme muito bem, alguns cortes secos em determinadas situações não ficaram tão bem, mas o resultado final é bem satisfatório. Deveria ser um filme obrigatório pra se debater o racismo, e mais importante que isso, se debater a condição social de tantas pessoas que são oprimidas pelo sistema (deveria também ser base pra discussão sobre as cotas de negros em universidades, porque é muito fácil dizer que temos chances iguais quando não se faz parte do grupo oprimido).


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

UMA VIDA DIFÍCIL

Título Original: Una Vita Difficile
Diretor: Dino Risi
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 113min

Sinopse: Silvio Magnozzi é um jornalista e antigo membro do partido comunista que não consegue encontrar na Itália "nova" - que está vivendo seu "boom" econômico e onde ganham sempre os trampolineiros e os "sem escrúpulos" - os ideais que sustentaram a resistência contra os nazi-fascistas. Ele se sente um perdedor e acaba sendo pressionado para negar sua identidade em troca de um falso bem estar.

Comentário: Obra prima de Dino Risi, um filme espetacular com um dos melhores trabalhos de Alberto Sordi. O filme tem muito da minha vida e dos meus valores, então sou muito suspeito pra falar. Dino Risi tem se demonstrado um excelente diretor italiano que não tem o prestígio que merece junto aos grandes nomes. O filme cai um pouquinho na meia hora final, perde o ritmo, mas consegue superar isto com um excelente desfecho, não poderia imaginar um final melhor. Em uma sociedade como a atual, onde o dinheiro move o mundo e a corrupção rola solta, é um filme super atual, se passasse nos dias de hoje não haveria diferença nenhuma no roteiro, porém o personagem principal não precisaria apenas de um carro bonito pra ser aceito pela sociedade, mas também de um iphone, tablet, roupas de marca e mais um monte de coisa, pra você ver como os valores do ser humano evoluiu pouco da década de 60 pra cá... essa sociedade capitalista é um porre!


TODOS PORCOS

Título Original: Buta to Gunkan
Diretor: Shohei Imamura
Ano: 1961
País de Origem: Japão
Duração 108min

Sinopse: Jovem opta por trabalhar como criador de porcos da Yakuza ao invés de arranjar um emprego normal. Contrariado pela namorada e acreditando ser apenas um trabalho como outro qualquer, ele acaba sendo jogado em meio ao mundo do crime.

Comentário: Eu esperava mais do filme, por tantos comentários favoráveis que ouvi, mas não caiu tanto na minha graça. Achei que ele se estende demais em algumas partes, então ele fica inconstante, com cenas muitos fodas e outras bem mornas. O grande trunfo do filme é a atuação de Jitsuko Yoshimura (a namorada Haruko), ela consegue carregar o filme nas costas, excelente interpretação. Hiroyuki Nagato (o protagonista Kinta) já não gostei dele atuando, caricato demais, forçado demais, chega a atrapalhar a maneira como você encara o filme. A cena dos porcos nas ruas é sensacional, já o desfecho me decepcionou, previsível e repetitivo, é impressionante o tanto de filme japonês desta época que termina da mesma maneira, consigo citar uns 10 pelo menos, falta de criatividade.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O REI DOS REIS

Título Original: King of Kings
Diretor: Nicholas Ray
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 171min

Sinopse: A vida de Cristo contada com rigor histórico. Da manjedoura em que nasceu na cidade de Belém para a adoração de milhares de fiéis espalhados pelo mundo, a vida de Jesus Cristo (interpretado por Jeffrey Hunter) foi inegavelmente repleta de grandes acontecimentos. Você verá seus milagres, os pilares da construção de sua igreja, a escolha dos Doze Apóstolos, a última ceia, a traição de Judas (Rip Torn), o humilhante julgamento em praça pública conduzido por Pôncio Pilatos (Hurd Hatfield), a crucificação e a ressurreição. Para os cristãos, a chance de ver seu líder espiritual. Para toda a humanidade, a oportunidade de aprender mais sobre a vida de um dos ícones religiosos mais importantes da História, reconhecido como espírito valoroso independentemente da religião. O Rei dos Reis tem música do vencedor do Oscar Miklos Rozsa e narração de Orson Welles.

Comentário: Nicholas Ray foi um dos grandes diretores do cinema, tendo inclusive conseguido filmar a própria morte em um documentário com o Wim Wenders, dava o sangue por seus projetos. Rei dos Reis não é seu melhor trabalho, mas é uma grande obra, pode-se perceber o cuidado em focar fatos históricos e pesquisas para que Jesus fosse inserido dentro de seu contexto e não simplesmente contasse só sobre sua peregrinação, este é o grande diferencial do filme. Apesar de longo, não senti em nada o tempo passar, a interpretação de Hunter não está das melhores, acho que o papel deve ser bem intimidador, pois talento ele sempre teve. A música de Miklos Rozsa é excelente, mas ela toca demais, acho que poderia ter momentos sem música e a narração também entrava um pouco a narrativa. O sermão da montanha é realmente esplendoroso, com apenas um discurso podemos ver toda a base da mensagem de Cristo e não o que as igrejas deturparam em anos e anos de abominações. Um filme pra se assistir sem muita expectativa que se torna uma bela surpresa.

TOTÒ, PEPPINO E A DOCE VIDA

Título Original: Totò, Peppino e... La Dolce Vita
Diretor: Sergio Corbucci
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 87min

Sinopse: Antonio (Totò) faz a vez de um zelador de estacionamento que conhece, graças ao seu ofício, grandes personagens da vida noturna de Roma, na época imortalizada com o filme A Doce Vida, de 1960. É nessa situação que tem de “enfrentar” seu matuto primo que moram no interior da Itália e que acha que o manobrista é um bem sucedido homem de Roma.

Comentário: De todos os filmes com o Totò e Peppino que já assisti, achei este o mais fraco, muitas cenas me pareceram forçadas e sem a graça usual da dupla. A direção de Corbucci segura bem o filme, mas nem assim consegue manter o ritmo, isto não significa que não há partes boas que nos conseguem tirar boas risadas, sim, há várias delas, mas comparando os outros filmes de Totò e Peppino este realmente fica abaixo da média. Acho que os dois funcionam melhor quando estão inseridos em um cotidiano mais casual e comum, pois são nessas comédias que eles conseguem atingir seus potenciais. Alguns paralelos com o filme A Doce Vida foram muito bons, outros nem tanto.




terça-feira, 18 de novembro de 2014

UM ESTRANHO EM MINHA CASA

Título Original: Fi Baitina Rajul
Diretor: Henry Barakat
Ano: 1961
País de Origem: Egito
Duração: 153min

Sinopse: Um drama político sobre a resistência à dominação britânica do Egito, que terminou com o exílio do rei-títere Farouk em 1954 e a ascenção ao poder de Gamal Abdel Nasser. O filme começa com o assassinato de Primeiro-Ministro pelo jovem revolucionário Ahmed Hamdi. Em sua fuga da polícia, Hamdi refugia-se na casa de uma família apolítica de classe-média, que acaba assumindo o risco de esconder um perigoso fugitivo da justiça. Baseado em uma novela de Ihsan Abdel Qoddous, o filme é um retrato fiel desse turbulento período, no início da década de 1950.

Comentário: Eu realmente gosto de filmes políticos, é um assunto que muito me interessa até porque exerci a profissão de professor de economia política por alguns anos, então posso ser extremamente tendencioso ao escrever e dar nota pra este filme. Gostei bastante, tanto do ritmo quanto da história, as discussões ideológicas e o próprio ritmo tenso do filme conseguem te prender muito bem em mais de duas horas e meia. Omar Sharif, novinho de tudo, interpreta o personagem principal muito bem, mas o elenco de apoio ajuda, e muito, a manter o olho do telespectador vidrado na tela. A beleza e a inocência da personagem Nawal (interpretada por Zubaida Tharwat) é um colírio para os olhos. Achei que teve algumas partes um pouco forçadas, mas nada que atrapalhe demais o ritmo do filme. Muito se fala dos filmes indianos, mas vejo pouca gente comentando sobre filmes egípcios, tudo bem que é o segundo filme egípcio que assisto para o projeto Oráculo Alcoólico, mas foram dois filmes muito superiores aos três indianos que assisti desta década de 60.


SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Título Original: Francis Of Assisi
Diretor: Michael Curtiz
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 105min

Sinopse: Nascido em berço de ouro, cercado de privilégios, paixões e luxo, Francisco de Assis veio a ser um dos mais amados e reverenciados santos da história. Bradford Dillman interpreta de modo marcante o ambicioso aventureiro que ouve a voz de Deus e responde abandonando sua vida de conforto. Ao trocar a espada pela cruz, ele se eleva à glória... Mas acaba tendo o trabalho de sua vida ameaçado por uma hierarquia corrupta e ciumenta dentro da própria Igreja. Sob a batuta de Michael Curtiz, famoso diretor de Casablanca, esta história épica de coragem e sacrifício é uma inspiração para toda a família.

Comentário: Michael Curtiz lançou dois filmes no ano de 1961, primeiramente este e mais pro final do ano Os Comancheros com John Wayne, encerrando sua carreira e vindo a falecer no ano seguinte. Este filme não faz jus ao grande homem que foi São Francisco de Assis, não que seja ruim, mas deve ter sido uma tarefa muito difícil de ter sido feito, não achei que Bradford Dillman estava bem no papel, no começo do filme sim, mas depois não me parecia muito bem adequado ao papel. Curtiz fez grandes filmes, era um grande nome do cinema, aqui ele ganha força pela simplicidade e realismo em muitas cenas, quando assistimos um filme de Hollywood com cavaleiros medievais temos aquela impressão de que tudo era lindo e harmonioso, quando na verdade devia parecer um circo de cores para os dias de hoje, podemos ver este realismo que para alguns pode beirar a tosquisse ou parecer piegas. Acho que a força do filme é a simplicidade e o realismo mesmo, como São Francisco gostava das coisas, acho que Curtiz teve este cuidado na hora de fazer o filme. Outra coisa que me chama muito a atenção é a discrepância entre a missão de São Francisco na mesma época que ocorria as Cruzadas (valores tão diversos da igreja que podemos ver no filme) e o fato do sonho do Papa dizendo que ele havia visto São Francisco reconstruindo a igreja, penso no Papa atual, primeiro a usar o nome de Francisco e fazendo todas essas reformas e reconstruindo tantos valores. São Francisco nunca esteve tão forte como nos tempos atuais, e isto me alegra, pois foi um dos (se não o) santos mais importantes, e não, não acho que seja possível um filme sobre ele que seja completo e que passe a grande vida deste homem, mas valeu a tentativa.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

UMA TÃO LONGA AUSÊNCIA

Título Original: Une Aussi Longue Absence
Diretor: Henri Colpi
Ano: 1961
País de Origem: França
Duração: 94min

Sinopse: Uma dona de um café, no subúrbio de Paris, julga reconhecer, num vagabundo, o seu marido deportado durante a II Guerra Mundial. O homem, que perdeu a sua memória, não se lembra de acontecimentos anteriores a 1945, com os quais se vê confrontado.

Comentário: Este é o primeiro filme dirigido por Henri Colpi e ganhou o Palma de Ouro em Cannes dividindo o prêmio com o Viridiana do Buñuel, porém não conseguiu manter a carreira em alta, não voltou a fazer um filme relevante como este. Um filme deveras estranho, já que os personagens parecem se recusar a agir da maneira que você gostaria que eles agissem. Tem horas que você simplesmente quer gritar com eles "Faça isso!" ou "Faça aquilo!", mas eles não obedeceriam. É um filme que vai crescendo, para culminar em um final que me gelou a espinha. Não achei que ele deveria ganhar a Palma de Ouro, por exemplo, acho que teve vários outros filmes superiores neste ano, mas é fato que o filme gruda que nem um chiclete na sua cabeça, você fica pensando nele muito tempo depois de assisti-lo. Independente se é isso ou aquilo, é um filme forte, com atuações ótimas de Alida Valli e Georges Wilson.


O VENTO TAMBÉM TEM SEGREDOS

Título Original: Whistle Down The Wind
Diretor: Bryan Forbes
Ano: 1961
País de Origem: Inglaterra
Duração: 95min

Sinopse: Neste drama clássico, baseado em romance de Mary Hayley Bell, a pequena Hayle Mills vive com irmãos na fazenda de seu pai viúvo, no norte da Inglaterra. Suas vidas são abaladas quando descobrem um homem procurado pela polícia (Alan Bates) escondido no celeiro. Após um confronto e mal-entendidos, as crianças imaginam que o homem seja a reencarnação de Jesus Cristo. Percebendo esse poder, o homem tenta usar isto a seu favor.

Comentário: O filme tem dois pontos altos, o primeiro é a história que é muito bem escrita e leva a inúmeros caminhos de reflexão, inclusive a maneira que se apresenta a religião para uma criança. O segundo ponto é a atuação da atriz mirim Hayle Mills, mais conhecida pelo papel da Pollyanna, ela também é a filha da Mary Hayley Bell, autora do livro que este filme adaptou. Diane Holgate, a irmã da atriz principal, também faz um excelente trabalho, pena que só fez este filme. Ficar imaginando o psicológico das crianças frente a ressurreição de Cristo e o que pode vir a seguir no desfecho do filme é angustiante. Um belo filme, com um ótimo desfecho.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

101 DÁLMATAS

Título Original: One Hundred And One Dalmatians
Diretores: Wolfgang Reitherman, Clyde Geronimi
& Hamilton Luske
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 79min

Sinopse: A diversão começa quando os dálmatas, Pongo e Prenda, tem 15 maravilhosos filhotes na casa de seus donos. Juntos eles formam uma grande e linda família até que a malvada Cruella Cruel, rapta todos os filhotes de dálmatas da cidade, incluindo os de Pongo e Prenda. Agora, os corajosos pais tem a responsabilidade de reunir toda a população canina, em uma missão cheia de suspense para salvar os inocentes filhotinhos da horrível vilã.

Comentário: Ótima animação dos estúdios Disney, ainda hoje consegue me prender, o início com a narração em off de Pongo é simplesmente perfeita. Cruella é uma das vilãs mais absurdamente desumanas da história das animações, uma pessoa que quer matar um monte de cachorros pra fazer um casaco de pele beira ao doentio (na verdade, se pensarmos nos dias de hoje, qualquer pessoa que queira matar animais pra fazer um casaco é doentio). O filme é curtinho, deixa um gostinho de quero mais. Algumas sacadas como a do "latido ao luar" são ótimas e os vários cachorros que aparecem durante o filme ajudam a manter uma boa narrativa. Faltou um algo mais no desfecho de alguns personagens, principalmente da Cruella.


ONDE OS PECADOS SE CRUZAM

Título Original: Il Mantenuto
Diretor: Ugo Tognazzi
Ano: 1961
País de Origem: Itália
Duração: 96min

Sinopse: Stefano Garbelli é um funcionário administrativo em uma indústria farmacêutica em Roma. Solteirão e desastrado, até certo ponto burro. Mete-se em uma confusão e involuntariamente transforma-se em um cafetão.

Comentário: Primeiro trabalho de Ugo Tognazzi na direção, ele não desaponta, a direção do filme é muito boa, a cena inicial das pernas de Ilaria Occhini foi ótima. Falando nas pernas de Ilaria Occhini, não tem como não comentar a beleza e o talento desta atriz neste filme que são de encher os olhos. A história é boa, uma comédia italiana que tem um bom ritmo, sem aquela gritaria costumeira dos filmes do Totò e Peppino. Tenho gostado muito das comédias do Tognazzi, exatamente porque elas tem uma carga muito interessante de crítica e fazem o telespectador pensar. Se mantém o mesmo nível de Mulheres à Italiana ou de O Fascista (apesar de eu preferir o primeiro), onde você consegue rir bastante e também se emocionar com os personagens.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

UMA MULHER É UMA MULHER

Título Original: Une Femme Est Une Femme
Diretor: Jean-Luc Godard
Ano: 1961
País de Origem: França
Duração: 82min

Sinopse: Angela, uma stripper, deseja ter um bebê e tenta convencer seu namorado, Émile, a ir adiante com a ideia, mas ele não concorda. Assim, ela acaba procurando o amigo de Émile, Alfred, para realizar seu desejo.

Comentário: Segundo filme da vasta carreira do Godard. Quando terminou o filme eu pensei "acho que prefiro o Acossado", mas agora já não sei mais. Só sei que em quesito de direção, este é melhor, é impressionante como o diretor brinca com a câmera com um ar de veterano. Anna Karina, que interpreta Angela, está deslumbrante no filme, atua muito bem e tem um carisma excelente. Jean-Paul Belmondo e Jean-Claude Brialy também estão ótimos, quando o diretor é bom, os atores parecem extrair o que há de melhor neles. Godard é um gênio, ponto, mesmo não gostando da sua carreira atual, não acho que ele perca o status de gênio que adquiriu com o começo da carreira. O desfecho do filme é ótimo e há várias cenas tão "cuti cuti" que deixa o coração de qualquer um mole. Obrigatório pra qualquer amante da Nouvelle Vague francesa.