sexta-feira, 24 de abril de 2015

OBSESSÃO MACABRA

Título Original: Premature Burrial
Diretor: Roger Corman
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 81min

Sinopse: Terceiro filme do ciclo realizado por Corman com base em Edgar Allan Poe. Ray Milland interpreta um homem cataléptico que tem medo de ser enterrado vivo, como aconteceu com seu pai. O medo vai se tornando uma obsessão, que começa a controlar sua vida, e acaba afastando as pessoas que se importam com ele. Alguém estaria por trás de tudo para que ele acabe sucumbindo à loucura?

Comentário: Um bom filme do Corman, que apesar de ser curto consegue passar tudo que precisa passar, mas tem algumas cenas forçadas (incluindo o desfecho). A trama se desenvolve muito bem, o suspense é bem trabalhado e deixa o desfecho do filme interessante. Sendo assim o desfecho tem partes excelentes e partes meia boca, talvez pela rapidez como tudo ocorre. Ray Milland é um puta ator, mas aqui ele está estranho, parece meio falso, não gostei muito da atuação dele, por outro lado pode ter sido a sensação de que faltava o Vincent Price, um filme do Corman sem um Vincent Price fica aquela sensação de que faltou alguma coisa.


MAMÃE ROMA

Título Original: Mamma Roma
Diretor: Pier Paolo Pasolini
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 106min

Sinopse: O filme marca a trajetória de Mamma Roma (Anna Magnani), uma ex-prostituta que vai atrás do filho abandonado por ela, Ettore (Ettore Garofalo), e que tenta uma vida nova junto com ele na capital italiana. Interpretada magnificamente pela atriz Anna Magnani, a personagem se vê em várias dificuldades sociais como a criminalidade que seu filho se envolve e a sua exploração pelo cafetão Carmine (Franco Citti).

Comentário: Pasolini escreveu o filme Noites de Cabíria, que tem uma certa semelhança com este aqui, mas na minha opinião (é só minha opinião, não fiquem irritados), este está infinitamente abaixo do Noites de Cabíria (que pra mim é um dos melhores filmes já feitos até hoje). Magnani está deslumbrante, algumas cenas são de encher os olhos, mas o filme é extremamente depressivo (lembra os filmes do De Sica que são de cortar os pulsos), te coloca lá embaixo mesmo. Só tem uma coisa que odeio mais do que os riquinhos filinhos de papai que tem tudo fácil na vida, são os pobres que vivem como se fossem ricos e filinhos de papai que tem tudo fácil na vida. Aqui mostra bem uma realidade atual onde todo mundo acha lindo ter corrente de ouro e um Iphone, mas a mãe rala pra caramba na faxina pra tentar dar tudo pro filho como se bens materiais resolvessem alguma coisa. É uma puta reflexão do puro capitalismo, pra colocar a mão na consciência sobre o que realmente importa na vida. Então, é um filmão, só esse gosto amargo na boca é que faz parecer que o filme não desce bem, mas foi esta a intenção. (PS: Traduzi o filme pra Mamãe Roma pela tradição em colocar os filmes traduzidos no blog, mas ele é conhecido pelo título Mamma Roma mesmo).


quarta-feira, 22 de abril de 2015

PROFANAÇÃO

Título Original: Phaedra
Diretor: Jules Dassin
Ano: 1962
País de Origem: Grécia
Duração: 116min

Sinopse: Adaptação moderna da personagem da mitologia grega Phaedra, filha de Minos e esposa de Teseus, que se apaixonou pelo seu enteado. Na Grécia atual, o pai de Alexis é um homem muito rico que faz fortuna na área de transporte marítimo. Ele se casa com a jovem e sensual Phaedra, que consequentemente torna-se madrasta de Alexis. O intreresse do rapaz pela moça é imediato. Ela corresponde aos flertes e logo ambos estão mantendo um caso amoroso secreto.

Comentário: Um belo filme, mas se comparar com o último do diretor (Nunca aos Domingos) fica bem abaixo. O filme se passa na Grécia, mas todo mundo fala inglês, até as velinhas gregas que ficam na rua sem dinheiro, odeio esse tipo de coisa e não entendi porque o Dassin fez isso, mas enfim... vamos tentar relevar. Melina Mercouri e Anthony Perkins deslumbrantes, mas isso já é de praxe. Jules Dassin foi um dos diretores americanos exilados devido ao seu nome na lista comunista, foi pra Grécia e continuou fazendo filmes lá, teve uma ótima repercussão com o Nunca aos Domingos, portanto me espantou a escolha de filmar um filme grego em inglês. A história segue bem, e Dassin consegue dar um tapa na cara da sociedade capitalista de maneira sutil, pois enquanto Thanos só se preocupa em construir seu império e ganhar mais e mais dinheiro, deixa de lado sua esposa e filho que buscam entre si a falta que ambos sentem de carinho e presença física que proporcione afeto. Thanos deixa de lado sua família e sua vida em veneração ao dinheiro. Uma bela sacada comunista, escondida em um filme pro mundo inteiro ver, em plena Guerra Fria.


CARÍCIAS DE LUXO

Título Original: That Touch Of Mink
Diretor: Delbert Mann
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 99min

Sinopse: Cathy (Doris Day) é uma moça simples, que um dia, ao caminhar pela rua, é molhada quando a limusine de Philip Shayne (Cary Grant), um milionário, lhe joga lama na roupa. Philip se agrada dela e tenta conquista-la, sem compromisso. Mas ela só deseja casar-se.

Comentário: As comédias românticas de Delbert Mann mantém sempre um certo nível, são divertidas, cumprem o que propõe e são diversões garantidas. Cary Grant consegue manter seu carisma de sempre e conquistar suspiros mesmo em idade avançada aqui. Doris Day, talvez em uma de suas melhores atuações, consegue se sair muito bem e se destacar mesmo atuando ao lado do mito que é Cary Grant, porém o ator foi bastante crítico e não gostou do resultado final da película. Gig Young consegue roubar várias cenas com o personagem Roger, coisa que parece ser recorrente nos filmes de Delbert Mann, ter um coadjuvante com um baita papel.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O BARÃO FANFARRÃO

Título Original: Baron Prásil
Diretor: Karel Zeman
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 80min

Sinopse: O astronauta Tonik pousa na lua, sendo saudado pelos viajantes da imaginação que viajaram para lá antes dele - Cyrano de Bergerac, o Barão de Munchausen e os exploradores de Júlio Verne. Acreditando que Tonik seja um habitante da lua, o Barão decide levá-lo em uma excursão para a terra. Viajando por gôndola puxada por pássaro, aterrissa na Turquia e busca uma audiência com o Sultão. A princesa Bianca implora a Tonik para resgatá-la do palácio e é quando a verdadeira aventura começa.

Comentário: O filme é baseado na novela de Göttfried Bürger (As aventuras do Barão de Munchhausen), o diretor utilizou cenários decorados pintados ao estilo das ilustrações de Gustave Doré ante a atores reais. Karel Zeman é um dos pais da animação do cinema na Checoslováquia. O filme é inovador e bastante divertido, só achei que a narração em off constante do Barão de Munchausen emperra um pouco o ritmo do filme, se os personagens falassem mais e interagissem entre si o filme ficaria mais dinâmico, de resto o filme é perfeito. Karel Zeman parece ser o pai de Terry Gilliam, assistindo este filme dá pra ver que é uma fonte de inspiração para uma grande parte das obras do diretor americano (que inclusive já dirigiu um filme sobre o Barão de Munchausen e fazia animações para o grupo Monty Python bem no estilo de Zeman). Toda a parte técnica do filme, o roteiro e essa mescla entre o cinema fantástico de Méliès com as ilustrações de Gustave Doré renderam um belo filme que merece ser assistido mais de uma vez. Um filme que merecia ser muito mais conhecido, assistido e divulgado em massa. Recomendadíssimo!


ELECTRA - A VINGADORA

Título Original: Ilektra
Diretor: Mihalis Kakogiannis
Ano: 1962
País de Origem: Grécia
Duração: 112min

Sinopse: Depois da guerra de 10 anos contra Tróia, Agamenon (Theodoros Dimitrief), o arqui-general de todos os gregos, retornou vencedor ao seu reino. O povo de Micenas e sua esposa, Clitemnestra (Aleka Katselli), o receberam com grandes honras, mas enquanto o marido estava na guerra ela estava nos braços de um amante, que mata Agamenon logo após o seu retorno. Electra (Irene Papas) e Orestes (Yannis Ferthis), os filhos de Agamenon e Clitemnestra, sabiam que o crime tinha sido cometido com o apoio da mãe, mas como eram crianças não podiam fazer nada. Orestes deixa o lar e Electra permanece, ansiando pelo dia que poderá vingar a morte de Agamenon.

Comentário: Consegui uma cópia deste filme com o áudio horrível, ficava saindo de sincronia a cada quinze minutos e isto atrapalhou um pouco a experiência de assistir ao filme. A história é basicamente a tentativa de passar para o cinema a mitologia de maneira mais verossímil possível, sem as partes dela falando com deuses e essas coisas. Pra quem conhece a mitologia o filme não contém muitas surpresas. Me incomodou bastante a frase "O papel da mulher é perdoar seu marido" que tenta apagar os erros de Agamenon e manter um alto grau de culpabilidade em Clitemnestra, na década de 60, com toda a revolução sexual, este comentário machista podia ter sido deixado de lado numa boa. Ter concorrido ao Oscar de melhor filme estrangeiro foi um exagero, tinham filmes bem melhores pra concorrerem no lugar deste. Algumas sequências são tecnicamente maravilhosas, outras (com closes exagerados) parecem extremamente amadoras e mal feitas, exageradas, o que coloca em cheque a qualidade técnica do diretor. O coro das mulheres ficou muito bonito, os atores são medianos. Recomendo só pra quem tiver curiosidade sobre o filme e curtir a mitologia mesmo.


terça-feira, 14 de abril de 2015

O MAIS LONGO DOS DIAS

Título Original: The Longest Day
Diretores: Andrew Marton, Bernhard Wicki & Ken Annakin
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 178min

Sinopse: Em 6 de junho de 1944, a Invasão Aliada marcou o início do fim da dominação nazista na Europa. O ataque envolveu 3.000.000 homens, 11.000 aeronaves e 4.000 navios, que compunham a maior armada que o mundo já viu. O Mais Longo dos Dias é uma reconstituição vivida, momento a momento, deste evento histórico. Apresentando um elenco de astros internacionais, e narrado do ponto de vista de ambos os lados, é um olhar fascinante que presencia os enormes preparativos, os erros e acontecimentos inesperados que determinaram o resultado de uma das maiores batalhas da História.

Comentário: O filme é longo, como o próprio título já diz, mas é um baita filme. Interessante como tiveram o cuidado de colocar os alemães falando alemão e os franceses falando francês, nesta época é cheio de filme americano que mostra o mundo inteiro falando inglês. O grupo de astros ajuda muito ao filme, John Wayne (meu ídolo supremo) está ótimo, a cara que ele faz ao ver os paraquedistas mortos pendurados é imbatível (uma mistura de tristeza e raiva como só o Duke sabia fazer). Um filme fiel aos fatos até onde um filme pode chegar, misturando tensão, esquemas táticos e descontração que ajudam com que o filme passe rápido. Red Buttons foi o melhor coadjuvante em todos os filmes que assisti com ele, consegue roubar qualquer cena em que aparece, neste filme ele não foge à regra. Um filme obrigatório devido a importância histórica. Achei bem digna a maneira com que o filme mostra os alemães, tentam colocá-los apenas como um oponente a ser combatido e não como o vilão que costumam a retratar nos filmes (não que o fascismo do Hitler não deva ser mostrado como o Diabo na Terra, mas vocês entenderam o que eu quis dizer). Não vou falar de todo o elenco, porque é muita gente famosa fazendo ponta, mas todos estão ótimos.


OS ANOS LOUCOS

Título Original: Anni Ruggenti
Diretor: Luigi Zampa
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 102min

Sinopse: Nos anos trinta, durante a ditadura fascista, um corretor de seguros, Omero Battifiori, atinge uma pequena cidade do interior de Roma em busca de novos clientes, mas acaba sendo confundido por um inspetor fascista a serviço do ditador Mussolini.

Comentário: Um filme que me surpreendeu muito, tanto pelo lado cômico, quanto pelo lado crítico contra o fascismo, e o mais importante, em como o diretor conseguiu casar as duas coisas ao mesmo tempo neste filme. Nino Manfredi está perfeito no papel principal, toda a trama que se forma em torno dele é muito bem escrita, bem amarrada e leva a reflexões bastante interessantes e atuais (afinal tá cheio de palhaços nas ruas levantando placas de apoio a  ditadura militar) para os dias de hoje. Michèle Mercier está belíssima e consegue atuar muito bem, consegue passar perfeitamente o papel de uma filinha de papai anencéfala que até assusta. O desfecho do filme é o melhor de tudo, vale muito a pena assistir. (PS: No IMDB consta o título original como Gli Anni Ruggenti, porém em todos os pôsteres que achei do filme não aparece o "Gli", escolhi manter sem o Gli no título original da ficha acima).


sexta-feira, 10 de abril de 2015

SEU CAMINHO SOLITÁRIO

Título Original: Hourou-Ki
Diretor: Mikio Naruse
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 123min

Sinopse: Baseado na vida e carreira de Fumiko Hayashi, a romancista cujo trabalho Mikio Naruse adaptou várias vezes para a tela. Da infância à vida adulta, Fumiko enfrenta uma pobreza amarga. Tendo que trabalhar apenas para comer e ajudar os pais, ela espera o reconhecimento literário. 

Comentário:  Como todos os filmes que já assisti do Mikio Naruse, este não foge a regra, é muito bom. Hideko Takamine interpreta muito bem a escritora, consegue passar aquele olhar de amargura mesmo quando está sorrindo. Achei que o filme cansa um pouco, mas o melhor é na reflexão de vida que acaba trazendo junto. Porque muitas vezes afastamos pessoas que nos fazem bem e insistimos em manter relações que nos fazem mal? Fumiko Hayashi parecia perita no assunto. Com o desfecho e o pouco que aparece da velhice da escritora, ficou um gosto amargo na boca, como se ela tivesse se tornado uma pessoa rancorosa e esquecido vergonhosamente de onde realmente veio, mas pode ter sido uma impressão errada que eu tive. Dos três filmes que assisti do diretor, este foi o que menos gostei, mas é um filme forte e que vale a pena. O filme é baseado na própria autobiografia da escritora.


O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER

Título Original: The Brain That Wouldn't Die
Diretor: Joseph Green
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 82min

Sinopse: Um jovem cirurgião, Dr. Bill Cortner, faz experiências secretas em seu laboratório numa casa de campo, com o objetivo de conseguir sucesso no transplante de membros humanos, utilizando um soro especialmente desenvolvido para evitar a rejeição. Quando ocorre um grave acidente de carro que vitimou sua noiva Jan Compton, ele consegue recuperar apenas sua cabeça dos escombros em chamas e decidiu mantê-la viva em seu laboratório, repousando-a numa bandeja com o soro. Agora, o desafio do cientista é encontrar um corpo de uma bela mulher, sem chamar a atenção da polícia, para tentar uma cirurgia de transplante na cabeça da noiva, que por sua vez não aceita a condição monstruosa em que se encontra, adquirindo poderes não previstos, distorcendo a mente, adquirindo raiva e conseguindo se comunicar e se aliar com uma aberração grotesca que está mantida presa no porão, fruto das experiências fracassadas do cirurgião.

Comentário: Taí um dos filmes que prova que brasileiro simplesmente não sabe traduzir títulos: The Brain That Wouldn't Die poderia ser traduzido pra algo como "O Cérebro Que Não Morria" ou "O Cérebro Que Não Conseguia Morrer", mas da maneira que o título foi traduzido só prova que o tradutor não assistiu ao filme, já que a única coisa que o cérebro quer durante o filme inteiro é morrer. O filme é tosco, roteiro tosco, elenco tosco, coisas toscas, mas é exatamente um filme feito pra ser tosco, então vale pela diversão. Poderia, porém, ser muito mais legal, faltou elementos no filme. A cabeça decepada da namorada, por exemplo, poderia ser mais trabalhada, ter mais destaque. Um filme que tinha muito potencial no gênero, mas que deixa a desejar. O final rápido demais meio que decepcionou. Um filme regular, me diverti muito mais assistindo ao Plano 9 do Espaço Sideral do Ed Wood.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O REPOUSO DO GUERREIRO

Titulo Original: Le Repos Du Guerrier
Diretor: Roger Vadim
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 98min

Sinopse: Quando a bela e inocente jovem burguesa parisiense, Geneniève Le Theil, viaja para Dijon para resolver os problemas pertinentes a uma herança deixada pela sua rica tia, sem querer abre a porta de outro quarto de hotel, e encontra um suicida perto da morte na cama. Mais tarde, Geneviève vai até o hospital e conhece Renaud Sarti, o depressivo alcoólatra que salvou. Então ela se apaixona por Renaud e o leva para seu apartamento em Paris, iniciando uma destrutiva, masoquista e corrupta relação com um homem muito abusado.

Comentário: O filme só vale pela parte técnica e pela Brigitte Bardot, curto bastante a direção do Roger Vadim... e a Brigitte Bardot é simplesmente livre da necessidade de qualquer elogio. Mas os elogios ao filme em si param por aí, os diálogos são fracos, o relacionamento patético dos dois personagens é tão tosco, raso e mal construído que o desfecho horrível do filme consegue ficar mil vezes pior. Não recomendo, assista apenas se for fã da Bardot ou dos filmes do Vadim por pura curiosidade.


O 5º PODER

Título Original: O 5º Poder
Diretor: Alberto Pieralisi
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 99min

Sinopse: Uma potência estrangeira tenta desestabilizar o Brasil através da propaganda subliminar, que pode atingir o inconsciente das pessoas por meio de artefatos eletrônicos. Um jornalista começa a investigar uma série de fatos e descobre os responsáveis pelos distúrbios.

Comentário: O filme é bem interessante, pode ter algumas coisas forçadas, pontas soltas e coisas do tipo, mas impressiona com as coincidências de fatos. Quem iria pensar que dois anos depois deste filme o Brasil sofreria um golpe militar financiado pelos Estados Unidos? (uma potência estrangeira como no filme). E quem iria imaginar que ainda nos dias de hoje seríamos uma nação comandada pela mídia (vai me dizer que você acha que a Rede Globo não faz uma bela de uma lavagem cerebral na maioria da população?). Isto por si só aumenta bastante o grau de importância do filme. Uma pena que a única cópia disponível esteja com legendas fixas em inglês, é uma vergonha que nossa obra e cultura tenha que ser salva do ostracismo pelos americanos e não pelo povo brasileiro. Ah, já ia esquecendo de elogiar a Eva Wilma, sempre uma musa suprema do cinema nacional nos anos 60. Um fato interessante sobre o filme é a rixa que gerou entre o roteirista e produtor Carlos Pedregal (de origem espanhola) e do diretor Alberto Pieralisi (italiano), o primeiro não estava gostando do clima sério e sem ação que o diretor estava seguindo e resolveu falar com Pieralisi que decidiu se afastar. Eva Wilma interveio e disse que não seria dirigida por outro diretor, fim da história: Pieralisi dirigiu as cenas com Eva Wilma e Pedregal (que não consta nos créditos como diretor) dirigiu as cenas sem Eva Wilma. Pieralisi quis dividir os créditos quando o filme começou a ganhar notoriedade, mas ficou por isto mesmo. A embaixada americana tentou impedir Pedregal de filmar devido ao tema de mensagens subliminares, ele vendeu quase tudo que tinha pra terminar o longa. Um filme vergonhosamente esquecido, que merecia um lugar de destaque nas grandes produções brasileiras.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

O DESPERTAR DE WOTON

Título Original: Woton's Wake
Diretor: Brian De Palma
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 27min

Sinopse: Woton Vladimir Ratatchevski é um maníaco, uma espécie de vampiro social que se esmera em matar belas jovens e colecionar apetrechos roubados de suas vítimas. Esta saga o acompanhará em seus atos vis, seja enganando uma jovem com um jogo de xadrez, seja organizando seu macabro esconderijo, seja infiltrando-se numa orgia de jovens ávidos por sexo. No final de tudo, não haverá saída: a bomba atômica terá que explodir...

Comentário: Primeiro trabalho cinematográfico do diretor Brian De Palma, e é bastante perturbador. Contém um clima que parece tirado de David Lynch, as bizarrices de um David Cronenberg e um estilo que também lembra Tim Burton, mas tudo isto muito antes desses diretores fazerem história. As canções são simplesmente excelente, beirando um folk que encaixa perfeitamente nas cenas. O filme incomoda, não é fácil, porém tem a vantagem de ser rápido (é um curta metragem nos padrões internacionais e um média metragem nos padrões nacionais). Um filme extremamente sensorial e experimental, não esperem uma viagem fácil, sim, o filme é uma tremenda viagem. Não é uma obra prima, mas é o prenuncio de que Brian De Palma seria um grande diretor.


DOIS DESTINOS

Título Original: Cronaca Familiare
Diretor: Valerio Zurlini
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 109min

Sinopse: Os irmãos Enrico (Marcello Mastroianni) e Lorenzo (Jacques Perrin) foram separados ainda na infância. Desde então os dois não tiveram nenhum contanto afetivo, mas com um encontro repentino e a solidão de ambos, eles terão que deixar as diferenças e buscar uma relação afetuosa mesmo que dolorosa.

Comentário: Marcello Mastroiani consegue me fisgar a cada novo filme que assisto com ele, pra mim é o maior ator de todos, o meu preferido. Primeiro filme em cores que assisto com ele, até então achava que ele era em preto e branco, foi estranho. Zurlini é um puta diretor, preferi como filme o A Moça com a Válise, mas no quesito técnico preferi a direção dele neste aqui. A música de Goffredo Petrassi é ótima e casa muito bem com o filme. O filme em si é um pouco melodramático demais, quase cai em um tremendo dramalhão, mas o pulso forte do diretor e o talento de Mastroianni seguram muito bem o filme. Jacques Perrin, em seu segundo trabalho com o diretor, também demonstra já um enorme talento bem no início da carreira. Perto do final o filme da uma arrastada, principalmente por você saber o desfecho desde o começo, pra mim ficou um gostinho de que faltou alguma coisa, mas no geral é um filme acima da média.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

MINHA LUTA

Título Original: Den Blodiga Tiden
Diretor: Erwin Leiser
Ano: 1960
País de Origem: Alemanha
Duração: 117min

Sinopse: Um documentário brilhante e imperdível. Cada segundo deste documentário é uma autêntica filmagem alemã, descoberta dos arquivos secretos da guarda de elite nazista e escondida pelo próprio Goebbels por serem muito fortes. Minha Luta criou um impacto internacional e foi aclamado como um dos mais incríveis documentários históricos. Criou turbilhões onde quer que tenha sido mostrado e arrancou entusiasmados aplausos e críticas. Minha Luta vai fundo na ascensão e queda do terceiro Reich e do gênio do mau que o criou. Durante o filme sempre surge a pergunta que vem atormentando as mentes e corações de todo o mundo: Como podem ter deixado isso acontecer?

Comentário: O documentário é uma produção tanto alemã quanto sueca, o título original é o sueco (que quer dizer Mein Kampf, título do livro que Hitler lançou e na tradução em português é Minha Luta), porém por ter um diretor alemão e se passar em um período histórico alemão revolvi classificá-lo como um filme da Alemanha. Não é um documentário fácil, já que mostra todos os horrores que o nazismo cometeu, porém a primeira metade do filme mostra bem o caminho político que Hitler percorreu para chegar ao poder, então é fácil você acabar perdendo alguns detalhes. Da metade pro final temos os horrores da II Guerra Mundial. É engraçado pensar nos horrores perpetrados pelo nazismo e no alvoroço todo que milhares de mortes ocorreram durante o conflito (seja nos campos de concentração, seja nos campos de batalha), mas ninguém parece perceber que milhares de pessoas continuam morrendo, tanto de fome (vide África), quando em campos de batalha (vide Oriente Médio) e ninguém parece se preocupar tanto. Nossos valores mudaram tanto assim desde a década de 40? Um filme reflexivo que mostra a mais pura barbárie que sem que percebamos é cometida até os dias atuais. Um filme que vale à assistida pra sentirmos vergonha da humanidade.


HARAKIRI

Título Original: Seppuku
Diretor: Masaki Kobayashi
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 133min

Sinopse: Após o colapso de seu clã, o samurai desempregado Hanshiro Tsugumo (Tatsuya Nakadai) chega ao castelo do Senhor Iyi, a quem pede licença para cometer ritual suicida em suas terras. Os membros do clã de Iyi, que acreditam estar o desesperado ronin apenas buscando abrigo, tentam forçá-lo a remover suas próprias vísceras – subestimando assim sua honra e seu passado. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Cannes em 1963, Harakiri de Masaki Kobayashi é uma denúncia feroz da hipocrisia da autoridade feudal.

Comentário: Quando eu assisti A Herança do mesmo diretor me falaram que era um filme menor dele, não entendi muito bem os comentários já que tinha adorado o filme, bem, agora ficou claro: Harakiri é simplesmente um dos melhores filmes que assisti até agora de 1962 e com certeza o meu filme favorito de samurais. O filme é simplesmente visceral, não no sentido sangrento, mas no sentido emocional. Uma enorme crítica aos valores e costumes conservadores japoneses de uma maneira tão fodástica que não dá pra explicar em um texto. É preciso assistir! Um filme obrigatório que merecia ter ganho a Palma de Ouro, mas ficou só com o prêmio especial do Júri. A Direção de Kobayashi é perfeita, a atuação de Tatsuya Nakadai é de encher os olhos e o roteiro todo entrecortado é de dar inveja a qualquer escritor.