quarta-feira, 29 de julho de 2015

OS DIAS SÃO NUMERADOS

Título Original: I Giorni Contati
Diretor: Elio Petri
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: Cesare é um solitário encanador romano. Um dia, viajando de bonde, ele testemunha a morte súbita, por ataque cardíaco, de um homem em sua idade. O evento deixa-lhe chocado e começa a pensar que seus dias estão contados. Dessa forma, ele começa a usar seu tempo para aproveitar a vida, saindo de seu trabalho, mas isso também começa a ser um problema.

Comentário: A ideia do filme é ótima, quem não vai se identificar com o personagem principal? A mortalidade e a auto análise da própria vida faz parte de todo o ser humano. A critica ao trabalho é visível, mas o pé no chão do roteiro não permite que tudo seja festa. Achei que o filme poderia ser melhor, na reta final ele quase se perde, fica cansativo e fica um pouco repetitivo. O desfecho faz com que fique pensando em muitas coisas e a ideia do filme fica bem aberta ao telespectador, mas ainda assim achei que o diretor não conseguiu atingir o potencial que o filme poderia ter tido. O filme me lembrou um pouco O Carrinho, nas duas películas os atores principais são o que mais vale a pena. Acima da média, mas nada espetacular também.


O HOMEM DE ALCATRAZ

Título Original: Birdman Of Alcatraz
Diretor: John Frankenheimer
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 148min

Sinopse: Um prisioneiro condenado pelo assassinato de dois homens passa a vida na cadeia. Lá se torna um autodidata sobre pássaros, sendo reconhecido mundialmente como uma grande autoridade no assunto. Mas, apesar de ser reconhecidamente uma pessoa regenerada e dotada de um intelecto superior, o Estado se recusa a libertá-lo.

Comentário: O filme é a maior critica ao sistema penitenciário americano (e porque não mundial?) já produzido por Hollywood. Entrou fácil nos meus favoritos e é com muito orgulho que ele vem pra marcar o centésimo filme americano comentado aqui no blog. A história é forte, a direção competente e com o excelente elenco não tinha como não ficar perfeito. Não esperava nada do filme e me pegou de uma maneira arrebatadora: a relação entre os personagens, o peso de saber que é uma história real e a duração do filme que passa num flash, Burt Lancaster sabia mesmo escolher os filmes que fazia, só tenho assistido pérolas dele. Por incrível coincidência estou lendo o livro Vigiar e Punir, do Michel Foucault, e é triste perceber que o sistema penitenciário, em sua maioria, não quer reabilitar o prisioneiro e age de uma maneira que beira à vingança cega de um vigilante sedento por sangue. Nesta mesma semana os deputados vetaram um projeto de lei que obrigaria o ensino médio obrigatório nos presídios, aqui mesmo no Brasil, mas pra que dar educação se você pode fazer a máquina punitiva dos presídios funcionar tão bem, né? Se você é dessas pessoas cheias de ódio e discurso vazios de "bandido bom é bandido morto", assista este filme, talvez mude sua cabecinha. Se você é contra o sistema carcerário como é regido na maioria dos países (sorte que existe a Suécia, Finlândia e alguns outros países pra serem exceção), assista também, porque é um puta de um filme bom!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

79 DA ESTAÇÃO

Título Original: 79 af Stöðinni
Diretor: Erik Balling
Ano: 1962
País de Origem: Islândia
Duração: 82min

Sinopse: Ragnar Sigurðsson deixou a vida com sua família numa fazenda e agora trabalha como taxista na Reykjavík do início dos anos 60. Depois de conhecer, por acaso, uma bela moça chamada Guðríði Faxen (conhecida como Gógó), ele acaba se interessando por ela e espera que os dois tenham uma vida feliz juntos. Os dois, antes consumidos pela solidão, agora vivem um romance feliz. Mas Gógó considera-se uma alma perdida e possui um fato em sua vida do qual Ragnar não está ciente.

Comentário: O filme foi um tremendo sucesso na Islândia na época em que foi lançado, assistido por aproximadamente um terço de toda a população do país. Baseado no romance de Indriði Guðmundur Þorsteinsson, toca em vários assuntos, é um filme sobre solidão, sobre tentar a vida na cidade grande, sobre pré julgamentos e tantas outras coisas. O filme engrena e se arrasta em vários momentos, se desenvolve e cria uma trava ao mesmo tempo. O personagem principal é carismático e tão complexo que é difícil não julgar a garota por quem está apaixonado (conhecida como Gógó, que leva nome ao título em inglês: The Girl Gogó, mas preferi traduzir o filme direto do original). Os atores trabalham bem, mas a cena de sexo é tão triste e falsa quanto a máscara que Gógó veste no começo do filme. A mudança dos personagens ao longo do filme é o que vale mais.


O REVOLUCIONÁRIO

Título Original: Amakusa Shirô Tokisada
Diretor: Nagisa Ōshima
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 100min

Sinopse: No ano de 1637, durante a era Tokugawa, na província de Shimabara, camponeses cristãos oprimidos se revoltam contra o xogunato com a ajuda de um carismático líder rebelde cristão: Shiro Amakusa.

Comentário: O filme é bom, mas falta algo, uma linha que unisse melhor a narrativa e não deixasse tudo tão solto e aberto. Tem cenas fantásticas, mas tem outras que não precisavam estar ali. O filme não tem um ápice, você fica esperando por ele, mas ele nunca vem, quando o negócio parece que vai estourar, vem uma cena cortando o ápice e o desfecho acaba sendo uma dessas cenas cortando o ápice que estava por vir. Nagisa Ōshima é um grande diretor e dá pra perceber aqui que sem ele o filme perderia muito o que consegue conquistar. Não é o melhor dele, mas também não é o pior. Recomendo só pros fãs do diretor ou de filmes japoneses históricos.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN

Título Original: The Miracle Worker
Diretor: Arthur Penn
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 102min

Sinopse: A incansável tarefa de Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma professora, ao tentar fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega e surda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram, sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança.

Comentário: Esse é daqueles filmes que te fisgam, que extrapolam todo o tipo de sentimento que vem de brinde quando se nasce humano. Vencedor de três Oscars: melhor diretor, melhor atriz para Anne Bancroft e melhor atriz coadjuvante para Patty Duke. Não tem muito o que dizer, é um filme obrigatório e que no final despertou lágrimas nos meus olhos, não por ser triste, mas sim por dar aquela renovada no otimismo do dia a dia. O filme é denso, claustrofóbico e pesado em vários momentos, mas tudo funciona perfeitamente bem. Fato curioso é que a atriz que vive a garota cega e surda, Patty Duke, fez o papel da Anne Sullivan em um remake de 1979. Um segundo remake ainda foi produzido pela Disney em 2000. O filme é um retrato cruel e esperançoso do ser humano, pode ser sombrio e iluminado, é o Yin e o Yang em todos os seus aspectos. Anne Bancroft foi uma das melhores atrizes de todos os tempos, merecia ter ganhado seu segundo Oscar em 1968, mas quem é que liga pra essas premiações vendidas de Hollywood?


OS 2 CORONÉIS

Título Original: I 2 Colonnelli
Diretor: Steno
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 95min

Sinopse: Totó (1898 - 1967), o coronel italiano ironiza, mais uma vez, a II Guerra Mundial, especialmente o comportamento duplo da Itália neste confronto. O excelente ator canadense Walter Pidgeon (1897 - 1984), com um rigor “inglês” faz contraponto com a irreverência dos italianos. 

Comentário: O filme é muito bom, tão bom quando o outro que o diretor realizou com Totò (Totò Diabólico). O filme diverte e tem situações bem hilárias. A única critica fica pra retratação das mulheres gregas fazendo festa para os soldados italianos, tudo bem que é um filme italiano realizado pra italianos assistir, sem esquecer que é uma comédia que tenta fazer paródia de várias situações, mas não tem como esquecer que a ocupação nazista (que os italianos faziam parte) dentro do território grego foi uma das piores de toda a II Guerra Mundial, onde milhares de pessoas morreram de inanição e provavelmente muitas mulheres gregas eram estupradas por soldados italianos, então achei de mal tom a retratação neste sentido. Ignorando isso o filme é uma das melhores comédias de Totò. Walter Pidgeon meio apagadão, convence, mas não tem muito carisma aqui.



quinta-feira, 16 de julho de 2015

O SOL EM UMA REDE

Título Original: Slnko V Sieti
Diretor: Stefan Uher
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 90min

Sinopse: "O Sol Em Uma Rede" explora o desenvolvimento dos romances de Fatjták, um fotógrafo amador, com a sua conterrânea Bela, e Jana, uma amante que ele conhece durante um trabalho temporário em uma colheita na zona rural. Esse triângulo amoroso fornece ao filme uma série de oposições: cidade e interior, intelectuais e trabalhadores, verdade coletiva e pessoal, realidade e representação - Todas apontando em direção à distinção entre verdade e mentira. No entanto, o filme não oferece uma resolução clara para todas as questões que levanta, demandando que o espectador tente resolvê-las por si mesmo.

Comentário: Hoje é dia de postar filmes com "Sol" no título (O Sol é para Todos), a única coisa que os dois tem em comum é criança rolando dentro de pneu e me deixar indagando porque diabos nunca fiz isto (pelo que me lembre). Este é um filme reflexivo, sem fórmulas prontas e de difícil compreensão para o telespectador que não está habituado com este tipo de narrativa. Pra mim, o filme se trata sobre amadurecimento, e em como as pessoas tem dificuldade de seguir em frente, e muitas vezes ficarem estáticas com suas obsessões (seja o personagem principal com sua obsessão por fotografias de mãos, seu amigo em pegar mulheres, o capataz que se recusa a pedir desculpas ou da mulher cega que se acostumou a fazer o papel de vítima). Alguns crescem, outros continuam em seus lugares acomodados por toda a vida, o protagonista parece disposto a crescer. O moleque que só toca a mesma nota da flauta, que diga-se de passagem tive vontade de enfiar a flauta no cu dele, parece também nunca avançar para o próximo passo. As belas mulheres da Checoslováquia roubam todas as cenas em que aparecem, só contribuem para o filme, Olga Salagová é simplesmente maravilhosa, longe deste estereótipo magrelo anoréxico "Angelina Jolie" que predomina no cinema mundial. A direção é muito bonita, as reflexões que ele trás são extensas, e para cada um o filme terá um significado diferente, mas só para quem estiver disposto a adentrar em sua proposta, que volto a repetir, não é das mais fáceis.



O SOL É PARA TODOS

Título Original: To Kill a Mockingbird
Diretor: Robert Mulligan
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 129min

Sinopse: Jean Louise Finch (Mary Badham) recorda que em 1932, quando tinha seis anos, Macomb, no Alabama, já era um lugarejo velho. Nesta época Tom Robinson (Brock Peters), um jovem negro, foi acusado de estuprar Mayella Violet Ewell (Collin Wilcox Paxton), uma jovem branca. Seu pai, Atticus Finch (Gregory Peck), um advogado extremamente íntegro, concordou em defendê-lo e, apesar de boa parte da cidade ser contra sua posição, ele decidiu ir adiante e fazer de tudo para absolver o réu.

Comentário: O que dizer deste filme? Não é pelo ritmo, ou pela história, ou pelos personagens ou por tantas outras coisas, mas ele é fantástico pelas indagações que trás ao espectador e como trata elas. O filme é super atual, em um momento como vivemos no Brasil, com linchamentos e coisas do tipo, deveriam passar em cada escola. Melhor papel da vida de Gregory Peck dos filmes que assisti até agora. Não é só sobre racismo, é sobre pré julgamentos, sobre a ridícula condição humana, e uma crítica sim, ao sistema. Quem acredita na lei? A lei é para os favorecidos, a lei não é igualitária, não é para todos. Este filme é simplesmente espetacular. Menção honrosa pra pequena participação de Robert Duvall como Boo, não havia reconhecido que era ele. Assista, não leia nada a respeito (só o livro, se quiser ler o livro antes pode), mas não deixe de assistir este filme.

terça-feira, 14 de julho de 2015

PORTO DAS CAIXAS

Título Original: Porto das Caixas
Diretor: Paulo Cézar Saraceni
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração 75min

Sinopse: O filme baseia-se em crime ocorrido no município de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro. Uma mulher muito pobre, maltratada por um marido ignorante e bruto, resolve assassiná-lo, e para conseguir quem faça isso, utiliza seus encantos femininos.

Comentário: A direção de Saraceni é simplesmente espetacular, o clima claustrofóbico e as músicas de Tom Jobim casaram com o filme como uma luva. A sinopse está meio estranha para o filme, não que o marido seja flor que se cheire, mas a protagonista está longe de ser uma santa. Manipuladora e maquiavélica, consegue cativar qualquer um, até o telespectador. Minha única critica é as atuações, são meios forçadas, tirando o Reginaldo Faria que faz um papel coadjuvante, mas mesmo não sendo uma Brastemp, Irma Álvarez (protagonista) consegue cativar mesmo intercalando alguns bons momentos de interpretação e outros nem tanto. Desfecho simplesmente perfeito, não podia ter terminado melhor.


DO OUTRO LADO, O PECADO

Título Original: The Grass is Greener
Diretor: Stanley Donen
Ano:1960
País de Origem: Inglaterra
Duração: 105min

Sinopse: Duque inglês e sua mulher vivem da produção de cogumelos e dos turistas que visitam sua mansão histórica. Mas a harmonia da casa é abalada por um charmoso milionário americano que seduz a duquesa. 

Comentário: Stanley Donen, diretor de clássicos como Cantando na Chuva e O Pequeno Príncipe, decepciona neste filme fraco. A cena em que Deborah Kerr se apaixona com o papo furado de Robert Mitchum é sofrível, e o tempo inteiro fica aquela coisa tosca de "Ele é rico", "mas ele tem dinheiro", "afinal de contas ele é milionário"... bah, então é só aparecer um cara rico que ela joga fora um casamento de dez anos com dois filhos e é tudo justificado? Poderia ser mais trabalhado as coisas do que simplesmente jogar o fato do cara ser rico pra ela se apaixonar por ele. O filme tem algumas cenas ótimas, como a da tela se dividindo enquanto se falam ao telefone, mas tirando algumas situações cômicas, não tem como levar a sério e respeitar o filme como um bom enredo. Não via a hora de acabar. Tirando o bom elenco e a direção competente de Donen, não sobra absolutamente nada que dê pra levar em conta.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

A GATA DOS MEUS SONHOS

Título Original: Gay Purr-ee
Diretor: Abe Levitow
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 85min

Sinopse: Jaune Tom (Robert Goulet) e Mewsette (Judy Garland) vivem em uma fazenda no interior da França, mas Mewsette deseja experimentar o refinamento e a excitação da vida em Paris. No entanto, ao chegar à capital francesa, ela cai na armadilha do gato Meowrice (Paul Frees). Jaune Tom e seu amigo Robespierre embarcam numa aventura pela cidade para reencontrá-la.

Comentário: Judy Garland em um de seus últimos filmes consegue cativar em um filme infantil para adultos. Porque para adultos? Imagina um filme para crianças nos dias de hoje onde o vilão quer vender a personagem principal como escrava sexual em um explícito tráfico de mulheres? Pois então, parece que os filmes infantis de antigamente não precisavam ficar seguindo o politicamente correto o tempo todo. Ou será que as crianças não eram subestimadas nas décadas passadas? Acredito que é possível fazer mais filmes assim, despertando assuntos adultos em crianças, até para formar opiniões e reflexões. O filme tem muita cantoria, lógico que ia ter, afinal é com a Judy Garland, e algumas sequências de musicas são fantásticas e necessárias pro ritmo do filme, mas tem outras que atrapalham o desenvolvimento e rompem a narrativa. Os personagens são todos cativantes, dos gatos pretos até o gatinho vivido por Red Buttons, que pra variar consegue roubar a cena até em animações (Cada vez mais tenho a teoria que o Buttons foi o melhor coadjuvante que já existiu). Os desenhos são maravilhosos, principalmente nas sequências musicais, de encher os olhos mesmo, uma pena que o cinema 3D tenha praticamente matado as animações analógicas dessa época. O filme se passa na França, mas é uma animação americana mesmo. Judy Garland foi quem sugeriu que os mesmos compositores de O Mágico de Oz trabalhassem no filme, Harold Arlen e E.Y. Harburg. O filme ainda teve problemas com o escritor Chuck Jones, que tinha um contrato de exclusividade com a Warner e foi demitido após descobrirem que escreveu este filme na clandestinidade.


JULES E JIM - UMA MULHER PARA DOIS

Título Original: Jules et Jim
Diretor: François Truffaut
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 105min

Sinopse: Na virada para o século XX, Jules e Jim são dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher, Catherine, que acaba casando com Jules. Depois da Primeira Guerra Mundial, quando eles se reencontram na Alemanha, Catherine começa a amar Jim.

Comentário: Sou suspeito pra falar do Truffaut, já que até meu cachorro leva o nome do cineasta, aqui vemos uma de suas melhores direções. Não acho o melhor da carreira do diretor, mas não deixa de ser quase excelente. A primeira metade do filme é leve e com um ritmo alegre, a segunda metade é... diferente, porque é difícil dizer tudo o que ela trás de bagagem sentimental. A primeira vez que assisti não havia gostado tanto quanto agora que revi para fazer a resenha, parece um filme que é preciso uma bagagem de vida pra se adentrar nele. O desfecho havia me desagradado, hoje o desfecho me agradou. O que me deixa com uma pulga atrás da orelha em relação ao filme é o que pensar de Catherine, é uma das maiores incógnitas do cinema pra mim. Um filme que é preciso assistir, nem que seja pela parte técnica, mas também pela história que de tão complexa é possível tirar várias conjecturas a respeito. Um Truffaut da melhor qualidade.


terça-feira, 7 de julho de 2015

O TESTE DO CARRO PRETO

Título Original: Kuro No Tesuto Kaa
Diretor: Yasuzo Masumura
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 95min

Sinopse: Duas companhias automotivas rivais recorrem à espionagem para descobrir os detalhes e os preços dos novos carros esportivos que estão para lançar.

Comentário: Eu não sou muito fã dos filmes do Masumura, este é o terceiro dele que assisto e o que mais gostei, o que é estranho já que as pessoas que costumam gostar dele acham este o mais fraco. Gostei deste filme porque ele é despretensioso, cumpre bem o que se propõe a fazer e brinca com o telespectador em vários momentos pra culminar em um excelente final. O desfecho do filme é a cereja no bolo, mostra pra que o filme veio e consegue muito bem fazer com que haja uma ótima discussão sobre o assunto. A premissa do filme lembra bastante ao Projeto de Assassinato dirigido por Kihachi Okamoto no ano anterior, ainda prefiro ao filme anterior a este, mas vale a pena assistir este aqui também.


TEMPESTADE SOBRE WASHINGTON

Título Original: Advise & Consent
Diretor: Otto Preminger
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 138min

Sinopse: Senado Investiga o novo Secretário de Estado, nomeado recentemente pelo Presidente, devido a um segredo do passado que pode não só arruinar sua candidatura, mas também a reputação do Presidente. O candidato tem sua vida investigada, e é prejudicado após acusação de ter sido comunista. O filme é centrado na batalha no senado americano para aprovar ou não o novo Secretário de Estado indicado pelo Presidente Americano. Quando um senador de Utah consegue levantar fortes entraves para derrubar a indicação, outro senador se mobiliza para descobrir um podre do senador e derrubá-lo. 

Comentário: O filme é bom, mas nada demais como muita gente comenta, tem um ritmo inconstante e melhora bastante pra reta final. Henry Fonda quase não aparece, é um coadjuvante, sacanagem usarem o nome dele com destaque pra promover o filme como se ele fosse o principal. Charles Laughton, infelizmente em seu último filme (veio a falecer 6 meses depois da estreia deste filme), e Walter Pidgeon roubam a cena e valem a pena serem assistidos em cada segundo que aparecem na tela. Algumas pessoas dizem que o filme é atual, que mostra a sujeira do senado e da política de um modo geral, mas ao meu ver é ser muito ingênuo achar que é assim na realidade. O filme mostra as coisas de uma maneira tão fantasiosa, que se os problemas do Brasil ou mesmo dos EUA fossem como mostrados no filme estávamos bem... e não, não venham me dizer porque é nos anos sessenta. O filme é leve, em nenhum momento pega pesado e mostra as sujeiras do congresso como realmente são. A direção é muito boa e a história é muito bem escrita, com momentos que conseguem surpreender, um filme acima da média que cumpre seu papel, mas está longe de ser uma obra prima.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

PATRULHA FANTASMA

Título Original: Captain Clegg
Diretor: Peter Graham Scott
Ano: 1962
País de Origem: Inglaterra
Duração: 83min

Sinopse: O Capitão Collier e sua tripulação são chamados para uma localidade onde há suspeitas de contrabando, porém o local guarda um misterioso segredo nos seus pântanos assombrados por fantasmas que afastam os curiosos de lá.

Comentário: Fui assistir sem esperar muito, e realmente a história é bem previsível, meio que matei todo o filme nos vinte minutos iniciais. Porém gostei muito do filme, porque é bem escrito, tem uma trama legal e por mais previsível que seja, consegue cativar, consegue envolver e apresentar um filme modesto e que serve perfeitamente como entretenimento. Peter Cushing está ótimo no papel e Ivonne Romain consegue estar cada vez mais deslumbrante em cada filme. O desfecho das coisas acontecem como devem acontecer tornando um ótimo filme pra distrair a mente quando não estiver muito pra filmes cabeças demais, não fica devendo em nada pra filmes dos mestres Roger Corman ou William Castle.


O MAFIOSO

Título Original: Mafioso
Diretor: Alberto Lattuada
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 103min

Sinopse: Antonio é um jovem e decidido rapaz que trabalha em uma fábrica de automóveis no norte italiano. Afim de que sua esposa e suas duas filhas possam conhecer sua cidade natal e sua família, ele decide levá-las para passarem as férias na Sicília. Ele fica muito entusiasmado com a oportunidade de poder mostrá-las a cidade, e acabar com muitos dos estereótipos dos sicilianos. Mas assim que Antonio volta a se ligar com seu passado na Sicília, ele descobre que existem muitas mais formas de ser siciliano do que ele imaginava.

Comentário: É engraçado como os italianos conseguem fazer filmes que são um pouco de tudo, você pode pensar que é uma comédia, mas é drama, suspense, romance e mais um monte de coisa, tudo junto e misturado. O Mafioso tem momentos assim, você ri, você fica tenso, você se apaixona e tantos outros sentimentos. Norma Bengell fazendo filme italiano, não sabia deste feito dela, mas consegue convencer muito bem. Alberto Sordi em um de seus melhores papéis que já assisti, mas ainda prefiro o Uma Vida Difícil. A direção de Lattuada é muito boa e competente e o roteiro não deixa a peteca cair. O desfecho é muito bom, recomendo.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

TARAS BULBA

Título Original: Taras Bulba
Diretor: J. Lee Thompson
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 119min

Sinopse: Na época sombria dos primórdios do século XVI, hordas enviadas pelo sultão turco espalharam terror no mundo civilizado. O império otomano se espalhou para o oriente, tomando a Ásia Menor, para o sul no Mediterrâneo e para o norte pela Criméia. Triunfante, o sultão voltou-se para o ocidente, para a Ucrânia. Os invasores já ameaçavam a fronteira da Polônia. O destino da Europa era decidido nas vastas planícies conhecidas como estepes. Esta situação força os poloneses a fazerem uma aliança com os cossacos da Ucrânia, para defenderem as estepes. Quando a vitória já está assegurada os poloneses, que precisavam ter o domínio daquela região, traem seus aliados. Este ato gerará diversas consequências.

Comentário: Fui assistir ao filme sem esperar muito, me surpreendeu bastante, a história te fisga muito bem. Baseado no livro de Nikolai Gogol, os personagens são completamente cativantes, Yul Brynner como Taras Bulba está impagável. Me lembrou bastante dos dramas familiares dirigidos pelo Vincente Minnelli (Herança da Carne e Os 4 Cavaleiros do Apocalipse), pois tudo é muito bem construído e os personagens com características marcantes e fortes se mantém fieis aos seus valores até as últimas consequências. O final foi muito rápido, pra mim podia ter mais uns vinte minutos pra terminar o filme com calma. A caracterização do povo cossaco (não sei se está fiel) é a melhor coisa do filme. Excelente música composta por Franz Waxman. A beleza de Christine Kaufmann já havia chamado minha atenção em Sinuca em Família, mas aqui ela rouba a cena quando aparece.

O ENAMORADO / O PRETENDENTE

Título Original: Le Soupirant
Diretor: Pierre Étaix
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 84min

Sinopse: Obcecado por sua pesquisa científica e pelo estudo dos astros, um jovem parisiense de excelente família, cheio de boa vontade, renuncia bruscamente, a mando de seus pais, à cosmografia, para partir em busca de uma esposa.

Comentário: Um filme homenagem ao cinema mudo, não que o filme não tenha falas, mas elas são bem limitadas e o enredo segue mais com movimentos e músicas do que com diálogos. A direção é excelente, e as cenas tem uma ótima carga de comédia em um estágio puro que não sei explicar muito bem. É um filme bonitinho. Passando uns quarenta minutos iniciais ele cansa um pouco, fica martelando na mesma ideia, na mesma constante e o filme parece não se desenvolver muito. O relacionamento entre o personagem principal (interpretado magistralmente pelo próprio diretor) e a sueca que mora em sua casa é muito raso, não deu pra levar muito a sério. Mas no geral é um bom filme, funciona muito bem com a ideia proposta. Achei o filme com os dois títulos diferentes, por isso coloquei os dois.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

A INFÂNCIA DE IVAN

Título Original: Ivanovo Detstvo
Diretor: Andrei Tarkovsky
Ano: 1962
País de Origem: Rússia
Duração: 95min

Sinopse: Durante a segunda Grande Guerra, os russos tentavam combater a investida nazista em seu território. Nas frentes soviéticas, Ivan, um garoto órfão de 12 anos, trabalha como um espião, podendo atravessar as fronteiras alemãs para coletar informação sem ser visto, e vive sob os cuidados de três oficiais russos. Mas, após inúmeras missões, e com um desgaste físico cada vez maior, os oficiais resolvem poupar Ivan, mandando-o para a escola militar.

Comentário: Filme ganhador do Leão de Ouro em Veneza e o meu segundo preferido do Tarkovsky (só atrás de Nostalgia).  Já no primeiro longa o diretor nos presenteia com um belíssimo trabalho. O filme parece uma espécie de filme-irmão do Garoto-Estilingue, mas enquanto o filme tcheco é mais leve, este é denso e muito mais reflexivo. Um dos melhores filmes de 1962, com certeza, com ótimas interpretações e roteiro, mas é a direção aqui que chama mais atenção que tudo, simplesmente perfeita. Preciso comentar a beleza de Valentina Malyavina, que interpreta Masha, que em 1982 foi condenada a nove anos de prisão por assassinar com uma faca o namorado, e também ator, Stanislav Zhdanko, foi solta em 1987. A Infância de Ivan é um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos, na minha opinião e deve ser assistido.


SUA ÚLTIMA FAÇANHA

Título Original: Lonely Are The Brave
Diretor: David Miller
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 107min

Sinopse: Jack Burns é um vaqueiro que se sente pouco à vontade com o mundo moderno do começo da década de 60. Quando descobre que seu melhor amigo foi preso, arranja uma maneira de ir também para trás das grades para ajudá-lo. O amigo recusa-se a tornar-se um fugitivo. Então ele foge sozinho e passa a ser alvo de uma caçada implacável.

Comentário: O filme é muito bom, o roteiro de Dalton Trumbo (famoso por ter sido caçado como comunista e grande colaborador de Kirk Douglas) em cima do livro de Edward Abbey é muito bom, o filme é uma completa desconstrução do gênero faroeste. A música composta pelo legendário Jerry Goldsmith, ainda no começo de carreira, é fantástica. Walter Matthau também está impagável em seu papel, dando uma carga mais cômica ao filme. Daria uma nota 9 pro filme se não fosse o final, simplesmente não me desceu, pra mim estragou bastante o filme e ficou completamente desnecessário. Não darei spoilers, mas desde que havia assistido O Advogado do Diabo no cinema não me frustrava tanto com um final. Lembrando que as notas são opiniões pessoais minhas, que apesar de entender a necessidade do final, não me desceu nem um pouco.