segunda-feira, 30 de março de 2015

LOLITA

Título Original: Lolita
Diretor: Stanley Kubrick
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 152min

Sinopse: James Mason interpreta o professor Humbert Humbert, que aluga um quarto na casa de Charlotte (Shelley Winters), mãe de Lolita (Sue Lyon), de 15 anos. A senhora logo se apaixona pelo professor, mas ele só tem olhos para a ninfeta Lolita. Para ficar próximo da menina, Humbert chega a se casar com a mãe dela, é quando a história toma novo rumo, dando espaço a tragédia e a um romance entre padrasto e enteada.

Comentário: Querer comparar esta obra do Kubrick com outras é um tremendo erro, na verdade querer comparar qualquer filme do Kubrick com algum outro dele é pisar em ovos pra mim. Lolita tem sua importância dentro da carreira do diretor como qualquer dos outros filmes. A direção é excelente, a mistura de dramaticidade, comédia e romance casam de maneira perfeita. O que mais chama a atenção no filme é exatamente a construção dos personagens, nenhum deles vale um tostão. É complexo. Acho que muita gente vai assistir o filme esperando algo e o filme se mostra diferente, mas nem tudo é Laranja Mecânica no mundo do cinema, a crítica e tabus da época foram alfinetados de maneira perfeita com Lolita, não devendo em nada para o Laranja Mecânica (que é preciso situar a praticamente 10 anos depois de Lolita), é tempo pra caramba e era outro cenário, mas como eu disse, não deveria estar fazendo esta comparação. Peter Sellers está perfeito, como sempre, e rouba praticamente todas as cenas em que aparece, Sue Lyon arranca suspiros como Lolita e James Mason atua muito bem também. Não li o livro de Nabokov, então não posso fazer comparações neste aspecto, mas no geral é um filme muito bom e que merece o reconhecimento de uma grande obra.


O PROCESSO DE JOANA D'ARC

Título Original: Procès de Jeanne D'Arc
Diretor: Robert Bresson
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 61min

Sinopse: Obra-prima do francês Robert Bresson, que aqui reconstituiu a prisão, o julgamento e a execução da mártir Joana D'Arc, baseando-se exclusivamente em documentos históricos. Austero, sóbrio e revelador, Bresson recorreu a atores não-profissionais para mostrar o martírio dessa figura histórica do século XV.

Comentário: O filme é muito bom, porém muito estático, por ser baseado em documentos históricos fica-se o tempo todo com om membros da inquisição fazendo perguntas e Joana D'Arc respondendo essas perguntas. Fico curioso com o fato de uma cena mostrar que só é anotado pelo escrivão os fatos que incriminam Joana D'Arc, então como é possível se basear em documentos históricos se aquilo que ela responde em defesa própria não foi anotado? Enfim, um filme sombrio de uma excelente qualidade técnica. O que mais gostei é que o filme não cai no dramalhão ou apela para o sentimentalismo barato que essas obras costumam ter, ele é curto e grosso, vai direto ao ponto de maneira bem fria. Talvez por ter sido criado dentro da igreja católica, meio que sempre acreditei que ela era uma santa, porém, depois deste filme tenho minhas dúvidas, me pareceu muito mais o retrato de uma pessoa com sanidade duvidosa.


sexta-feira, 27 de março de 2015

TOTÒ E PEPPINO SEPARADOS EM BERLIM

Título Original: Totò e Peppino Divisi a Berlino
Diretor: Giorgio Bianchi
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 95min

Sinopse: A história se passa na loteada Berlim em 1961, ano que o famoso e extinto Muro de Berlim começou a ser construído. Os napolitanos Totó e Peppino, vendedores ambulantes, foram parar na capital alemã. Entre encontros e desencontros o filme ironiza a guerra fria com muito humor.

Comentário: O diretor havia realizado anteriormente a comédia Mulheres à Italiana, que pra mim é bem superior que esta. Adoro a dupla Totò e Peppino e aqui eles voltam a ter a química que todo filme com eles promete. O começo do filme, com troca de identidades de Antonio La Puzza (interpretado por Totò) por um Almirante Canarinis, nazista procurado, me lembrou bastante ao filme O Desmemoriado de Collegno, mas as similaridades terminam já no começo e o filme parece se desenvolver de outra maneira, porém o que me incomodou foi o roteiro em si, tem um furo que simplesmente não consegui esquecer durante toda a película: A filha do verdadeiro Almirante Canarinis é presa depois de uma meia hora de filme e não se fala mais nisso, parece que vai desenvolver alguma coisa sobre a confusão de identidades, mas nada, parece que esqueceram dela pra continuar o filme. De resto é uma boa comédia, várias cenas ótimas e com um desfecho bem engraçado. Peppino De Filippo consegue estar ainda melhor que o habitual neste filme, Totò sempre constante, com cenas ótimas.


O BARÃO DO TERROR

Título Original: El Baron del Terror
Diretor: Chano Urueta
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 77min

Sinopse: Em 1661, o Barão Vitelius de Astara é sentenciado a ser queimado vivo na Santa Inquisição Mexicana, por bruxaria, necromancia e outros crimes. Antes de morrer, o Barão jura vingança contra os descendentes dos inquisidores. Trezentos anos depois, o mesmo cometa que passara durante sua morte, retorna à Terra trazendo o Barão, na forma de uma criatura monstruosa, que se alimenta de cérebros, pronta para realizar sua vingança.

Comentário: Quando o filme começa você espera algo no estilo de Roger Corman ou William Castle, o clima do filme sombrio com a inquisição e tudo mais, então o filme dá um salto de 300 anos e o estilo muda pra algo bem Ed Wood, sem pé nem cabeça e com inúmeras incongruências no roteiro. Assista o filme apenas para se divertir e ele vai ser uma boa pedida, só acho que algumas coisas acontecem muito rápido, mas só o fato do Barão voltar a vida saindo da calda de um cometa e virando um monstro lobisomem com uma língua gigante e mãos fálicas que sugam cérebros já vale a assistida. Não preste atenção no roteiro e se divirta, pronto, é um filme razoável pra uma noite descompromissada de filmes sérios demais. O cara promete voltar pra matar os descendentes de quem queimou ele na inquisição, mas a verdade é que ele mata bem mais gente, com a incrível coincidência que os inquisidores tem apenas um descendente depois de trezentos anos e todos eles sem mais ninguém na família, o cérebro é sugado por dois furos na nuca da vítima, mas ficam inteirinhos em uma bandeja na casa do Barão (Bwahahahahahahahahaha!), é tanta coisa louca que a fantasia tosca passa despercebida. Um filme razoavelmente tosco pra puro entretenimento. Recomendo.


sexta-feira, 20 de março de 2015

MURALHAS DO PAVOR

Título Original: Tales Of Terror
Direção: Roger Corman
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 89min

Sinopse: Baseado na obra de Edgar Allan Poe, o filme tem 3 episódios:"Morella", sobre o cadáver de uma mulher morta há 26 anos; a segunda é a junção de dois contos, "O Gato Preto" e "O Barril de Amontillado", onde um velho bêbado trava amizade com um degustador de vinhos; o terceiro e último é "O Estranho Caso do Sr. Valdemar" sobre um especialista que hipnotiza um moribundo para se comunicar com o além.

Comentário: Achei um dos melhores filmes do Corman que já assisti até agora, talvez pelo motivo de ele não se levar tão a sério aqui, parece ter feito um filme mais leve e com alguns momentos bem cômicos. Vincent Price está ótimo pulando de um papel para o outro, interpretando o degustador de vinhos é uma das coisas mais brilhantes de toda sua carreira. Quando comecei a assistir não sabia que eram 3 histórias separadas, talvez por isso a primeira foi a que menos gostei, pensei "Nossa, como é que vai ficar esse filme agora?" e acabou. O segundo e que mais gostei mistura suspense, terror e comédia com ótimas interpretações de Price e de Peter Lorre. A última parte tem uma premissa bem interessante, que podia ser melhor, mas não decepciona. É Vincent Price em sua melhor forma.


A BONECA

Título Original: Vaxdockan
Diretor: Arne Mattsson
Ano: 1962
País de Origem: Suécia
Duração: 90min

Sinopse: Um homem solitário, que trabalha como segurança noturno, desenvolve uma estranha fixação por um manequim. Logo, ele a rouba e a leva para casa, onde pode estar perto dela o tempo todo. Um dia, porém, ela parece ganhar vida.

Comentário: Um filme forte sobre a solidão humana e a que ponto a mente pode chegar para suprir a falta de companhia. O ator Per Oscarsson está perfeito no papel do solitário Lundgren, tem horas que conseguiu me deixar completamente desconfortável com sua excentricidade e ataques de loucura. Nenhum filme conseguiu me passar esta coisa de vergonha alheia pelo personagem como este, e é por conseguir passar isso que dei uma boa nota, o filme não é brilhante, é simples, com uma história simples, porém é na hora de conseguir passar sentimentos com imagens que ele supera vários outros. Você fica o filme inteiro se contorcendo e pensando "não cara, não faz isso, tu vai passar vergonha"... enfim, é bem interessante por isso. A direção é competente e o final me agradou bastante, conseguindo me surpreender. (PS: o filme não tem um título em português, traduzi livremente para A Boneca, já que o filme inteiro faz menção a uma música sobre homens brincando com bonecas e a tradução literal seria Modelo de Cera, que remete ao manequim do filme, mas não encaixaria tão bem ao português).


quarta-feira, 18 de março de 2015

DESEJO QUE ATORMENTA

Título Original: Senilitá
Diretor: Mauro Bolognini
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 106min

Sinopse: Angiolina é uma jovem proletária belíssima que na Trieste dos anos 20 leva a loucura com seu irresponsável e tortuoso amor ao aspirante a burguês Emílio, que perde a cabeça por ela e começa um processo senil em plena juventude, viajando aos abismos do inferno por sua desesperança.

Comentário: O filme só vale mesmo a assistida por causa da Claudia Cardinale que está belíssima e sempre consegue roubar o coração de qualquer um. O filme é um grande novelão, se arrasta tempo demais em um único assunto, a doença de amor não correspondido, tanto o personagem principal quanto sua irmã no filme só servem pra ficar martelando na mesma tecla. Ao meu ver o personagem de Emilio só serve pra fazer papel de idiota durante todo o filme. A direção é ótima, Bolognini consegue cenas estupendas, mas o filme como um todo é bem inferior a obra O Belo Antônio do diretor. Se não fosse pela Claudia Cardinale o filme não teria se segurado tanto, e estaria com uma nota inferior.


MORTOS QUE CAMINHAM

Título Original: Merrill's Marauders
Diretor: Samuel Fuller
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 98min

Sinopse: O General Frank D. Merrill conduz os 3.000 voluntários americanos de sua 5307 Composite Unit, conhecidos como "Merrill's Marauders" (na tradução algo como Os Saqueadores de Merrill), atrás das linhas japonesas através da Birmânia para Myitkyina, forçando todos além dos seus limites e lutando batalhas em todos os pontos fortes.

Comentário: Um filme fraco, estava esperando bem mais por ser um filme do Samuel Fuller, nem se compara ao seu anterior A Lei dos Marginais que entrou pra lista como um dos melhores filmes da década de 60 pra mim. A linha narrativa não foca em praticamente nenhum enredo, as duas coisas que realmente gostei do filme é do soldado com a jumenta e da cena em que outro soldado recebe um prato de arroz e começa a chorar. O filme fica o tempo todo mostrando soldado que não aguentam mais nada e de alguma maneira se levantam e continuam a guerrear, parece o Frodo com o Sam no final do Senhor dos Anéis. Aquela velha história de patriotismo tosco americano, "nossos soldados aguentam e cumprem a missão". A cena em que o soldado acha uma nativa machucada e a ajuda é digna de pena, na realidade ela seria estuprada por todo o batalhão (afinal foram mais de 100 mil alemãs estupradas pelos soldados americanos, né? Imagina o que fizeram na Ásia), mas é um filme americano, então os soldados são sempre retratados como bons moços e isto definitivamente não me desce goela abaixo.


sexta-feira, 13 de março de 2015

AINDA RESTA UMA ESPERANÇA

Título Original: A Kind Of Loving
Diretor: John Schlesinger
Ano: 1962
País de Origem: Inglaterra
Duração: 107min

Sinopse: Adaptado de um livro de Stan Barstow é o primeiro longa de John Schlesinger. Alan Bates é Vic Brown, jovem desenhista de uma fábrica que ama Ingrid Rothwell (June Ritchie). Uma noite em que a mãe da garota não está em casa eles fazem amor. A partir daí, Vic não sabe mais se quer ter um relacionamento sério enquanto Ingrid busca entender o que está acontecendo com ele.

Comentário: A direção e atuação são excelentes, não tem nada para criticar em relação a isto, mas definitivamente não foi um filme que me pegou. O título original, que fazendo uma tradução livre, seria algo como "Um tipo de amor" não demonstra amor nenhum do meu ponto de vista. Vic não ama Ingrid, já no começo da relação ele se cansa dela, enquanto Ingrid também não ama Vic, existe um sentimento juvenil de amor na cabeça dela (garota mimada). Tem partes que você odeia o Vic por não conseguir dizer na cara dela o que sente e tem outros momentos que você odeia Ingrid por não conseguir calar a boca e enxergar a realidade como ela realmente é. Será que toda mulher inglesa matraqueia desse jeito? Não aguentava uma semana. Da metade pro final o filme fica melhor, mas cai em um desfecho clichê bem comercial. É um tipo de amor fadado a dar errado na minha opinião. No geral é um filme regular, um romance água com açúcar que dá pra assistir de boa, que não é ruim, mas também não tem nada demais.


GORATH - CHOQUE DE PLANETAS

Título Original: Yôsei Gorasu
Diretor: Ishirô Honda
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 88min

Sinopse: A estrela Gorath está em rota de colisão com a Terra, e os japoneses reúnem forças com cientistas do mundo inteiro para empreender uma missão para salvar a humanidade.

Comentário: O que eu gosto dos filmes do Ishirô Honda é que são diversão garantida. Quando este filme começou fiquei espantado com a excelente produção e efeitos visuais em uma época pré-Star Trek, parecia que ia ser uma ficção científica de alto nível, da mesma maneira que O Vapor Humano iria ser um filme noir de alto nível, mas daí tudo muda e começam as coisas mirabolantes. O plano dos cientistas para salvar a Terra é uma das coisas mais engraçadas do filme, não tem como levar a sério, coisas vão acontecendo e você vai achando que vai ter alguma ligação com algo, algum pretexto maior, mas são só eventos aleatórios que não acrescentam em nada. Quando aparece um monstro destruindo tudo (é um filme do Honda pô! Como assim não ia ter um monstro gigante?) você já está tão de boa assistindo que tudo vira motivo pra diversão. Dos que assisti do diretor ainda prefiro o Mothra, acho que porque o filme consegue não se levar muito a sério desde o começo, mas este talvez foi o que tenha me divertido mais.


terça-feira, 10 de março de 2015

FREUD - ALÉM DA ALMA

Título Original: Freud - The Secret Passion
Diretor: John Huston
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 134min

Sinopse: Huston realiza uma pseudo-biografia do psicanalista vienense Sigmund Freud (1856-1939), mas descrevendo apenas um período de cinco anos (a partir de 1885) da vida do médico. Nessa época, a maioria dos colegas de Freud se recusavam a tratar dos casos de histeria por acreditar que tudo não passava de fingimento dos pacientes para chamar atenção. Mas Freud não achava isso e passou a aplicar a técnica da hipnose, que viria a se tornar uma prática no tratamento psiquiátrico.

Comentário: Huston é um excelente diretor, quanto a isso não há dúvidas, aqui ele pisa em um terreno arenoso, pois não é uma obra fácil de se adaptar, tentar mostrar a teoria de Freud em tela é no mínimo complexo, adaptar biografia é difícil, sempre tem aquela adaptação ficcional que parece não encaixar direito. Não é de seus melhores filmes pela natureza da obra, não pela falta de competência, porém não deixa de ser um filme legal de assistir e fácil para o telespectador mais leigo, outro grande trunfo do Huston aqui. Não posso deixar de imaginar que a escolha de Montgomery Clift para o papel não pode ter sido obra do acaso, ele e Huston já haviam trabalhado juntos em Os Desajustados (Pra mim a obra máxima do diretor), mas a escolha de Clift deve ter sido pelas suas próprias neuroses e autodestruição, famoso pela confusão sexual e pela depressão que o acometia (provavelmente a depressão vinha de sua confusão sexual, alguns biógrafos dizem que era homossexual, outros que era bissexual), foi demitido pela Universal pelas frequentes ausências nas filmagens deste filme deixando o estúdio puto com ele. Havia sofrido um feio acidente de automóvel saindo de uma festa de Elizabeth Taylor uns dois anos antes e Marilyn Monroe chegou a dizer que Clift conseguia estar pior que ela no fator depressão. Era um puta ator, que conseguia roubar a cena quando aparecia, fez um papel digno de Freud na minha opinião, mas bem mais modesto em atuação do que estava acostumado a atuar, chega a ser irônico uma pessoa tão perturbada interpretar o pai da psicanálise e acho que foi essa a ideia. Jean-Paul Sartre escreveu o roteiro original do filme, mas o mesmo não foi usado por ser muito extenso, Huston usou elementos do roteiro de Sartre, mas este acabou não sendo creditado já que a obra foi reescrita por outro roteirista. Menção honrosa para a trilha sonora de Jerry Goldsmith, uma lenda de Hollywood quando o assunto é música.


O OLHO DO MAL

Título Original: L'Oeil du Malin
Diretor: Claude Chabrol
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 72min

Sinopse: Albin Mercier, um jornalista francês, é enviado à Baviera para escrever um artigo sobre a vida na Alemanha. Ele faz amizade com um casal burguês, o escritor Andreas Hartman e sua esposa Hélène, que moram próximo a ele. O casal parece ser feliz, como também parece gostar da companhia de Mercier. Mercier, no entanto, ressente-se da felicidade deles e decide tomar o lugar de Andreas.

Comentário: Chabrol é um diretor incrível, consegue passar vários tipos de sentimentos com a câmera, mas seus filmes parecem faltar alguma coisa (pelo menos os filmes que assisti, ainda faltam vários). Aqui temos ótimas atuações, uma ótima história e um desfecho que gostei, mas ao mesmo tempo tem momentos que a história parece se arrastar (mesmo o filme sendo bem curto) e alguns personagens parecem não conseguir passar o que poderiam dentro da história (principalmente Hélène). Ainda prefiro ao filme Entre Amigas do diretor. Não gostei nem um pouco da trilha sonora, que parece não entrar em sintonia com o filme. O personagem principal me lembrou bastante ao famoso Tom Ripley, dos livros de Patricia Highsmith, e adaptado para o cinema várias vezes.


quinta-feira, 5 de março de 2015

CINCO VEZES FAVELA

Título Original: Cinco Vezes Favela
Diretores: Marcos Farias, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues & Leon Hirszman
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 91min

Sinopse: Cinco histórias com a visão de diferentes diretores sobre a favela, mostrando um retrato definitivo das pessoas que ali viviam no começo da década de 60. Em "Um Favelado" conta a história de um desempregado que sem dinheiro, arquiteta um plano para poder pagar o barraco onde vive. Em "Zé da Cachorra" um latifundiário quer de volta suas terras, onde está instalada uma favela. Um favelado luta contra a passividade de uma comissão de moradores, que estão aceitando a situação desfavorável que lhes foi imposta. Em "Couro de Gato" crianças caçam gatos a fim de usar seu couro para fabricar tamborins, que serão usados no carnaval. Em "Escola de Samba Alegria de Viver" o presidente do grêmio recreativo, divide-se entre lutar pela sua categoria ou aceitar as imposições comerciais do carnaval. Em "Pedreira de São Diogo" sobre uma pedreira há uma favela. Ao perceberem o risco de desabamento dos barracos, em consequência das explosões de dinamite, os operários incitam os moradores a iniciar um movimento de resistência para impedir um acidente fatal.

Comentário: Como são cinco histórias diferentes é difícil manter o mesmo nível em todas. As melhores pra mim são "Couro de Gato" (de Joaquim Pedro de Andrade) que consegue comover de maneira simples, e "Pedreira de São Diogo" (de Leon Hirszman) que é uma aula de cinema, excelente sequência. As histórias "Um Favelado" e "Zé da Cachorra" são medianas, a primeira (de Marcos Farias) cai um pouco no clichê e não acrescenta muito ao filme, enquanto a segunda (de Miguel Borges) gostei bastante, mas poderia ser bem mais desenvolvida, parece que ficou faltando algo (mas entendo a falta de tempo pro desenvolvimento, senão viraria um filme só sobre ela). "Escola de Samba Alegria de Viver" (de Carlos Diegues) é a mais chata, parece não sair muito do lugar, cansa e é mal desenvolvida. No geral é um filme que vale a pena ser assistido, tanto pelas histórias quanto pela visão documental da época.


DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE

Título Original: Sweet Bird Of Youth
Diretor: Richard Brooks
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 115min

Sinopse: Chance Wayne (Paul Newman) volta à sua cidade-natal, após muitos anos tentando fazer filmes. Com ele está uma decadente estrela de cinema, Alexandra Del Lago (Geraldine Page). Enquanto tenta obter ajuda para fazer um teste de cinema, Chance acha tempo para rever sua ex-namorada, Heavenly (Shirley Knight), a filha do político Tom Finley (Ed Begley), que mais ou menos o forçou a deixar a cidade há muitos anos atrás.

Comentário: Segunda obra que o diretor adapta do famoso escritor Tennessee Williams, confesso que ainda não assisti ao trabalho anterior (Gata em Teto de Zinco Quente), mas gostei bastante deste. Geraldine Page simplesmente rouba todas as cenas em que aparece, deu até um pouco de dó do Paul Newman que não conseguiu chegar perto da interpretação dela. A crítica à Hollywood e ao sonho americano de "se você se esforçar vai conseguir ser alguém" é a melhor parte do filme, o escritor tira sarro do American Way of Life de uma maneira bem sutil. Richard Brooks é um diretor excelente, que já me conquistou com o filme Entre Deus e o Pecado. Gostei bastante do desfecho do filme, achei melhor que o Vidas em Fuga, também do Tennessee Williams, e dirigido pelo Sidney Lumet.


terça-feira, 3 de março de 2015

AQUELE QUE SABE VIVER

Título Original: Il Sorpasso
Diretor: Dino Risi
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 105min

Sinopse: Realizado em 1962, com a Itália já recuperada da Segunda Guerra, o filme capta a atmosfera hedonista e consumista da era dos automóveis conversíveis, da vida de playboy, das festas na praia ao som do rock e twist de Peppino di Capri e do sexo e amor livre dos anos 60. O título original Il Sorpasso pode ser traduzido como A Ultrapassagem, título rico em significados depois que você assiste ao filme.

Comentário: Uma das melhores direções de Dino Risi e outra excelente atuação de Vittorio Gassman com o diretor (Sua Excelência, O Trapaceiro), poderia ser uma das obras primas do diretor, mas eu particularmente não gostei do final, lógico que dá o que pensar, mas não gostei, por puro gosto pessoal mesmo, preferia um final diferente. Mas o filme vale a assistida pelo seu desenrolar, as tomadas de câmeras, o clima bem anos 60 sendo mostrado de maneira excelente. Não conhecia a atriz Catherine Spaak e me deslumbrou pela beleza. Jean-Louis Trintignant (que está mais em evidência recentemente pelo filme Amor) também demonstra incrível talento já no começo de carreira, é o filme mais antigo que assisti com ele. Vale a assistida pelo elenco, pela direção, pelo clima sessentista e pelo filme em geral, mas continuo não gostando do desfecho. Foi um dos primeiros road-movies da história do cinema, e teria sido usado como referência, segundo Dennis Hopper, para o clássico Easy Rider.


ÁNIMAS TRUJANO

Título Original: Ánimas Trujano (El Hombre Importante)
Diretor: Ismael Rodríguez
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 99min

Sinopse: Este drama de Ismael Rodríguez tem como pano de fundo um "festival de mayordomía", festa típica dos estados mexicanos do sul. Na celebração anual, a Igreja elege um homem como "mayordomo", posto de grande honra; quem fizer a maior doação consegue o cobiçado título. O célebre ator Toshiro Mifune faz o papel de Ánimas Trujano, um camponês rude e preguiçoso que nada faz, enquanto sua mulher sustenta a família. A grande ambição de Ánimas e tornar-se "mayordomo", e para isso ele começa a fazer de tudo para conseguir o dinheiro necessário.

Comentário: É isso mesmo que vocês leram na sinopse, o Toshiro Mifune interpreta um mexicano e isto por si só já é motivo de piada. O filme tem partes boas e partes ruins, o que torna ele um filme regular. É estranho Mifune, um ator japonês famoso pelos filmes do Kurosawa, aceitar entrar em uma coisa assim (só pode ter sido pela piada pronta), o ator tem cara de japonês, fala como japonês e tenta a todo momento de maneira tosca se fingir de mexicano (até os pelos no peito dele você consegue ver que é falso), e isto atrapalha bastante o desenrolar do filme porque não se consegue levar o filme a sério. A direção é competente, Ismael Rodríguez tem seu talento. Tem partes cômicas e tem partes de dramalhão, indico só pra quem for fã do ator mesmo pra dar umas risadas.